sexta-feira, julho 17, 2026
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Enquanto a Colômbia muda, o Brasil recebe o crime organizado que foge – Parte 2

Confira a coluna do jornalista André de Lazzari

Foto: Isadora Reicher

A coluna continua a série de edições em colaboração com o doutor Márcio Bueno, advogado, gestor e analista de políticas em Segurança Pública, palestrante em Crime Organizado, professor de pós-graduação em Segurança Pública e presidente do Conselho de Segurança do Município de Chapecó. O tema que está sendo tratado é o peso da vitória do candidato de extrema-direita, Abelardo de la Espriella, na disputa presidencial da Colômbia, na política de segurança pública do país.

Conforme Márcio, a Tríplice Fronteira entre Tabatinga (Brasil), Letícia (Colômbia) e Santa Rosa (Peru) é o principal polo do narcotráfico na Amazônia: “Segundo relatório conjunto da Agência Brasileira de Inteligência e da Direção Nacional de Inteligência da Colômbia, esta região negocia as maiores cargas de drogas e funciona como epicentro de lavagem de dinheiro”.

O Comando Vermelho domina o lado brasileiro, com forte presença no Amazonas, Pará, Acre e Rondônia. O PCC também expande sua presença. Ambas negociam diretamente com grupos colombianos para compra e transporte de drogas, o que faz com que Abelardo tenha um grande desafio nos próximos quatro anos, principalmente se não houver a colaboração do governo brasileiro.

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As rotas fluviais amazônicas são os principais corredores, na opinião de Bueno: “O rio Solimões funciona como eixo principal, conectado pelos rios Javari, Içá e Japurá. A partir de Manaus, os entorpecentes seguem para o Pará, de onde são distribuídos para diferentes regiões do Brasil ou encaminhados até o litoral para escoamento para a Europa e a África”. O porto de Vila do Conde, em Barcarena, próximo a Belém do Pará, é o principal ponto de saída. Oferece acesso direto ao oceano Atlântico e facilidade para driblar a fiscalização.

Para Márcio, quando há intensificação da fiscalização, as organizações utilizam diferentes rios e modais logísticos, incluindo pistas clandestinas na Amazônia, especialmente na Venezuela, e narcosubmarinos para travessias até a África e a Europa: “A cocaína que sai daqui não apenas alimenta mercados globais, ela reconstrói redes criminosas internacionais que retroalimentam o Brasil com armas, dinheiro e poder”.

As áreas de cultivo de coca nas regiões da Colômbia que fazem fronteira com Equador, Peru e Brasil somaram 122 mil hectares em 2023, 54% de toda a coca cultivada no país. O crescimento foi de 126% em relação a 2020: “A produção de cocaína triplicou na última década. Os laboratórios processam até cinco toneladas por mês. Os rendimentos dobraram nas últimas duas décadas”, alerta Bueno.

A Colômbia é responsável por 70% da distribuição global de cocaína, mas enquanto a Europa agora consome quase tanta cocaína quanto os Estados Unidos, o Brasil emerge como principal mercado consumidor e ponto de trânsito para a região. Havendo um endurecimento do combate ao tráfico de cocaína na Colômbia, como prometido por Abelardo, o Brasil pode ter uma crise ainda maior de narcotráfico, fazendo com que o país crie uma crise sem precedentes na segurança pública.

Recadinhos

  • Se você ainda não conferiu a reportagem especial publicada ontem (16) sobre o trecho da SC-283 entre Arvoredo e Seara no instagram do ClicRDC, dê uma olhada. Trabalho profissional e consciente da equipe do portal.
  • A Chevron, uma das maiores petroleiras do mundo, pretende se juntar a alguns investidores para construir um oleoduto que ligue o Iraque à Síria. O objetivo seria reduzir a dependência do estreito de Ormuz, conforme a newsletter The News.
  • Antes do início da Guerra, cerca de 20% do petróleo mundial passava por essa região. O próprio Iraque produzia cerca de 4,5 milhões de barris de petróleo por dia, mas foi fortemente afetado pelo conflito.
  • Esse novo empreendimento possibilitaria o petróleo ser exportado pelo lado oposto da região, sairia do Iraque, passaria pela Síria e chegaria no mar Mediterrâneo.
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