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Campo em Foco: Correção da acidez do solo e a tomada de decisão


Após uma correta coleta de solo, o envio para o laboratório e o recebimento da análise, deve-se proceder à correta interpretação dos resultados, iniciando pela avaliação da acidez do solo para fins de indicação da necessidade ou não de aplicação de calcário.

O calcário é produzido a partir da exploração de uma rocha sedimentar formada há milhões de anos, composta principalmente por carbonato de cálcio (CaCO₃) e, em menor quantidade, por carbonato de magnésio (MgCO₃). Trata-se de um insumo de baixa solubilidade e, portanto, precisa ser aplicado ao solo com antecedência à semeadura da cultura principal, para que ocorra sua reação, promovendo o aumento do pH e a neutralização do alumínio tóxico para as plantas, corrigindo, dessa forma, a acidez do solo.

Em situações alarmantes de acidez do solo, com pH abaixo de 5,0, saturação por alumínio elevada (igual ou superior a 30%) e saturação por bases baixa (inferior a 45%), fica evidente a necessidade de incorporação do calcário ao solo, pois a condição de acidez é extremamente desfavorável. Nessa situação, o solo terá baixíssima capacidade de reter nutrientes, além de estar sujeito à potencial lixiviação dos nutrientes catiônicos e à adsorção específica do fósforo, tornando-o indisponível para as plantas. Esse cenário indica que, ao longo dos anos, ocorreram falhas no manejo do solo e na realização da calagem. A análise de solo é o laudo que evidencia esse problema, demonstrando sua importância. Entretanto, se nenhuma medida for tomada, a situação tende a se agravar com o passar do tempo.

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A incorporação do calcário deve ocorrer somente quando o problema de acidez for muito grave e estiver associado à compactação do solo, pois há a necessidade de levar o corretivo em profundidade e em grandes doses, além de romper a camada compactada. Essa prática pode trazer alguns inconvenientes, como a exposição de pedras do perfil do solo à superfície e o aumento da suscetibilidade do solo aos processos erosivos, o que é extremamente danoso.

Quando essa tomada de decisão for a única alternativa viável, deve-se realizá-la e, em seguida, semear rapidamente plantas de cobertura, especialmente misturas de espécies que apresentem crescimento vigoroso e promovam rápida cobertura do solo, visando protegê-lo do impacto das chuvas. Essas plantas produzirão raízes diversificadas e agressivas, que contribuirão para a agregação e a estabilização do solo, além de favorecer a biodiversidade edáfica.

Se o problema de acidez não for tão grave, a aplicação superficial de calcário, sem incorporação, é uma alternativa possível, em doses menores, conforme preconizado pelo Manual de Calagem e Adubação de Culturas. A partir disso, deve-se realizar o monitoramento da acidez para evitar problemas futuros. Cabe destacar que o calcário possui efeito residual em função de sua granulometria, apresentando partículas menores, de reação rápida, e partículas maiores, de reação mais lenta, que atuarão ao longo do tempo.

Há outras tecnologias disponíveis para a correção da acidez do solo, como os óxidos (CaO e MgO), produtos derivados da calcinação do calcário e que, por isso, apresentam maior solubilidade e reação mais rápida, embora tenham custo mais elevado. Trata-se de uma opção para aplicação superficial em determinadas situações, mas que também pode ser incorporada ao solo ou até mesmo aplicada na linha de semeadura de culturas de cobertura de inverno, sempre abaixo e ao lado da semente. Nesse processo, utilizam-se doses menores, pois a aplicação localizada no sulco favorece uma reação mais rápida no solo. Cabe destacar que a correção da acidez ocorre de forma localizada.

Também há o gesso agrícola (CaSO4.2H2O), insumo derivado da indústria de fertilizantes fosfatados, que contém cálcio e enxofre. Esse produto é considerado um condicionador de solo, pois não promove o aumento do pH, mas fornece cálcio e enxofre ao solo e reduz a atividade do alumínio, minimizando os problemas de toxidez para as plantas. Destaca-se que se trata de um insumo mais solúvel que o calcário e que fornece cálcio, elemento fundamental para o crescimento radicular. No entanto, não promove o aumento do pH do solo.

Assim, observa-se que existem diferentes opções para a correção da acidez do solo. Contudo, para sermos assertivos, é necessário compreender a qualidade, a reação e a dinâmica dos insumos no solo, bem como identificar corretamente o problema a ser enfrentado, a fim de escolher o insumo mais adequado, buscando o menor custo e a maior eficiência na correção do solo.

Abraço aos amigos leitores.

Anderson Clayton Rhoden.
Professor no Curso de Agronomia Uceff.

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