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Efapi, o lugar para dar o primeiro passo

Com 80 mil habitantes, o maior bairro de Chapecó abriga histórias de trabalho e dedicação

Uma parte do bairro Efapi. Créditos: Luciano Negri

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em 2025 a estimativa de habitantes de Chapecó: cerca de 280 mil. A população e algumas lideranças do município estimam 80 mil pessoas morando no maior bairro da cidade, conhecido em todo o país: Efapi. Famoso, pois o nome faz referência à Exposição-Feira Agropecuária Comercial e Industrial de Chapecó, evento realizado desde 1967 na região. Atualmente, o “Grande Efapi”, como é costumeiramente nomeado, é formado por 30 loteamentos. As informações gerais deste pedaço da Capital do Oeste tornam possível a imagética da grandeza de um bairro que abriga milhares de histórias que permeiam as ruas e o tornam plural e diverso. 

Chapecó é casa para 81 nacionalidades, com destaque para venezuelanos, haitianos, marroquinos, cubanos e bengaleses, segundo dados da Prefeitura. No bairro Efapi, habita a maior quantidade de imigrantes, fato que se dá pela oportunidade de emprego disponível, afinal, são duas agroindústrias com vagas de emprego ofertadas a todo momento. O livro “Efapi: mais que um bairro” do jornalista Alexandre Madoglio, aponta no capítulo “A Terra dos Trabalhadores”, a importância das indústrias para a região.

Vista parcial de um grupo de pessoas na 2ª Efapi em Chapecó-SC. Créditos: Ceom Unochapecó

A Sadia, atual MBRF, foi criada por Attilio Fontana em 1973. Quase 20 anos depois, em 1992, a Cooperativa Central Aurora Alimentos (Aurora Coop), inaugurou a unidade localizada no Acesso que leva o nome de seu fundador: Aury Luiz Bodanese. José Antonio Barbosa mora no Efapi desde o primeiro ano de funcionamento da unidade da Aurora no bairro, “eu escolhi morar aqui por causa do trabalho”. Ele e a esposa vieram do interior primeiramente para morar no bairro Presidente Médici, mas “no Efapi era mais barato e perto do trabalho”. A mudança foi para o Loteamento Colatto, seguido do Thiago Vila Páscoa, para então construir a casa da família no Jardim do Lago. 

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As indústrias são o primeiro atrativo para quem busca mudança de vida através do trabalho. É o que afirma Ellys Diova Bello Montano, de 26 anos, atualmente empreendedor e morador do bairro Efapi. A vinda de Ellys e da esposa Samirelys Yoselin Castillo Velasquez, de 25 anos, em 2021, foi motivada pela oportunidade de emprego. Incentivado por familiares que já tinham se instalado em Chapecó, o casal venezuelano veio “sem nada”. Ele diz que “todo imigrante que chega, chega sem nada”, e no caso de Ellys, com grandes objetivos. 

“Não adianta sair da venezuela e ficar só trabalhando, tem que ir pra frente, crescer”. – Ellys Diova Bello Montano, empresário 

Por dois anos, Ellys trabalhou na MBRF. Quando saiu, há três anos, comprou uma moto e começou a fazer entregas, “comecei a crescer e formei minha mini-empresa”. Ellys tem um grupo de WhatsApp com 30 motociclistas que atendem cerca de 180 empresas. Os estabelecimentos sinalizam quando há entrega para ser feita, identificando o destino da viagem e o motoboy que interagir por primeiro, faz o frete. O grupo garante segurança e agilidade para o cliente, e trabalho para os motociclistas. 

O trabalho não é o único atrativo de moradores para o Efapi. Na região, estão localizadas duas Universidades: A Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó) e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – a segunda, já fora do  perímetro do bairro. Ana Carolina Rodrigues, de 21 anos, mudou-se para Chapecó em julho de 2025. “Escolhi a Efapi por ser mais próximo da faculdade, pela variedade e praticidade no comércio”. Ana, natural de São Paulo capital, disse que o bairro a recorda da terra natal: “todo o agito me lembra o lugar onde cresci, e isso me transmite uma sensação de estar em casa”. Ela cursa Jornalismo na Unochapecó e está no último semestre. “A Efapi é praticamente uma cidade dentro de Chapecó”, Ana comenta ainda sobre as poucas saídas do bairro quando não precisa trabalhar, pois consegue “resolver tudo no comércio da própria comunidade”. Outro ponto positivo da Efapi, segundo ela, são os valores de aluguel,  “na época, era o lugar mais barato e com opções boas”. 

No caso de Ellys e Samirelys, o aluguel que era pago na Rua Ângelo Mulinari se tornou caro, o que motivou a busca do casal por outro local, encontrado na Rua Moacir Moro. Ainda assim, o casal acredita que o aluguel é uma dificuldade para os moradores. Além do aluguel, o crescimento do Efapi nos últimos anos desencadeou alguns problemas estruturais. Dois dos temas mais citados pelos entrevistados são o trânsito e  a segurança pública. “A maior dificuldade é o trânsito. O bairro tem muito movimento e, nos horários de pico, o deslocamento é mais demorado”, disse Ana. As estradas para acessar o bairro Efapi são poucas. Limitam-se a três caminhos: o Contorno Viário Oeste, que encontra as outras duas possibilidades no elevado da BRF, a Avenida São Pedro e a Avenida Leopoldo Sander. Todas levam à Avenida Senador Attilio Fontana, principal via do bairro. Ainda, é possível desviar da Attilio Fontana acessando a Rua Priamo do Amaral pela Avenida Leopoldo Sander, alguns metros antes do encontro no elevado. Esse desvio leva aos fundos da Unochapecó, ou ainda à Avenida Ernesto José de Marco, antiga Araras. 

A saída do Elevado é na Rua Coronel Freitas. Créditos: Prefeitura Municipal de Chapecó

Para essa questão, a Prefeitura de Chapecó busca soluções. Uma delas é a construção do Elevado Abrelino Cosmo Parizotto, como deve se chamar a partir da validação da Lei Municipal 8.354, iniciada em novembro de 2024. A obra liga à Avenida Senador Attílio Fontana com o lado sul do Efapi, o que permite o desvio por cima do elevado para moradores da região. 

 No que diz respeito à segurança pública, no início de 2026, a estrutura do quartel dos Bombeiros do Bairro Efapi foi realocada para o bairro Araras, ainda na região, pois a antiga sede não supria a demanda de ampliação de efetivo e equipamentos. Da mesma forma, há uma base da Polícia Militar localizada na Avenida Senador Attílio Fontana que inclusive contou com o apoio da comunidade e empresários para que a restauração, em 2020, fosse feita. 

A consideração e proximidade da população habitante do bairro com os órgãos de segurança pública se dá, parte pela recorrência de crimes na região, principalmente os pequenos furtos. José comenta que a casa onde mora hoje foi assaltada duas vezes, e ainda diz que “hoje pra ‘tu’ sair de casa, tem que ter muito cuidado”. Em setembro de 2025, uma audiência pública foi feita com a comunidade por membros do legislativo para discutir a segurança no bairro. Em data mais recente, junho deste ano, novas ações foram definidas pelo poder público. Valmor Junior Scolari, prefeito de Chapecó, afirmou na ocasião para a imprensa que foi uma ação com objetivo de “desmontar vários locais de consumo e venda de drogas, acumulação de pessoas indevidamente, enfim”, de atuação conjunta entre a Prefeitura Municipal, Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal. “Uma operação que faz com que as forças de segurança, agindo simultaneamente, possam otimizar o esforço e diminuir os problemas que vinham acontecendo”. 

Entre as milhares de histórias que vivem no bairro, nossos personagens ressaltam o espírito de comunidade. “É muito bom, eu amo morar lá (no Efapi). Acho que isso se deve ao movimento do bairro e à praticidade que ele oferece. Gosto do prédio onde moro, das pessoas e da comunidade ‘efapiana’ como um todo”, disse a Ana. Ellys concorda que o Efapi é “muito bom”, e “muito tranquilo” e Samirelys afirma que desde a chegada do casal, eles perceberam que “era pra morar no Efapi”. José reconhece a terra onde pôde constituir a família dele, hoje somada à um casal de filhos e netos, que também moram na região.

Parque de Exposições Dr. Valmor Ernesto Lunardi atualmente. Créditos: Fetranslog
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