quinta-feira, abril 30, 2026
InícioQuinta da OpiniãoQuinta da Opinião: Uma tarde no CAPS i III

Quinta da Opinião: Uma tarde no CAPS i III

Leia a coluna especial do Doutor Vitor Marcelo Vieira

Foto: Vitor Marcelo Vieira | Radialista (locutor e repórter), Doutor em História do Tempo Presente (UDESC)

Foi no mês de novembro do ano passado, 2025, no dia 11 que fiz uma visita ao CAPS i III. Aquela foi uma tarde de muito calor. A recepção ficou por conta da coordenadora, a psicóloga Cassintia Santin Gaspareto. Como haviam outras pessoas também na visita, fomos conduzidos para uma sala que fica ao lado da portaria. Ali sentei e foi formada uma roda de conversa. O início da conversa foi sobre o funcionamento do CAPS i III. Eu estava munido do meu caderno e caneta, que costumo utilizar nas minhas reportagens. Portanto, tudo que escrevi aqui, são a partir de minhas anotações que eu fazia enquanto ouvia a coordenadora palestrar para os presentes.

Logo nas primeiras conversas soube que ali é o local onde o olhar se volta para os transtornos graves, mas que que não atende adolescentes com dificuldades de aprendizado. No CAPS i III são acolhidos crianças e adolescentes que já passaram por uma Unidade Básica de saúde, ou seja, ali é o ponto de chegada. No ano passado haviam no local 708 pacientes ativos sendo só em 2025, 603 novos pacientes. O ano de 2025 superou os anos anteriores quando a média foi de 400 pacientes durante o ano todo.

O carro chefe do CAPS i III é a psiquiatria. Há no local uma tendência à adaptação, talvez com mais facilidade do que em outros lugares. É um local onde não há demanda leve. Ali entram casos graves e os profissionais são diversos. O local é referência para outros municípios no acolhimento da dependência química. O fluxo de pacientes no leito vem aumentando, consequência de famílias doentes e desorganizadas. A coordenadora atribui o aumento do fluxo ao uso indevido das mídias e redes sociais, sem regras. Existe grande quantidade de crianças e adolescentes com o Transtorno Opositor Desafiador (TOD) e as famílias dizem que não sabem mais o que fazer. A escola reclama e a família responde ao afirmar tirar a criança da escola. Outro fator segundo ela, é a observância maior para esses casos, o que veio a provocar o aumento da demanda. Inclusive existem situações, em que chegam ao local, casos que não são de Autismo, fazendo com que se torne necessário fazer toda uma explicação, inclusive para pessoas que já recebem um benefício. Trata-se de uma situação muito complexa.

- Continua após o anúncio -

Existe todo um cuidado para não direcionar para o caso das patologias. Antes dos pacientes chegarem ao CAPS i III, eles já passaram por um atendimento de toda a rede municipal de saúde, e ao chegar para o acolhimento precisam ter um relatório do que deve ser feito. Em seguida sempre há uma triagem e aqueles que serão acolhidos entram de forma classificatória, pois há uma fila e uma classificação de risco. A prioridade são os casos que colocam a vida do sujeito e dos outros, em risco. A dependência química também tem um primeiro olhar. É feita uma anamnese para compreender a complexidade da infância e adolescência. Outra situação que é observada é que para a criança ou adolescente estar fora da escola, somente se for um caso muito grave.

Para encerrar fiz observações sobre os conceitos utilizados pela coordenadora que também é psicóloga. Me referi ao conceito de “sujeito” que ela usou várias vezes na sua fala. Quanto a isso ela emendou que os termos mais usados nas comunicações neste espaço são o paciente ou o pacientezinho, que fica mais próximo da criança. Afirmou que “usuário” é um termo mais usado de forma técnica, que serve para preencher relatórios e documentos em geral. O conceito de sujeito está ligado ao campo da psiquiatria. Por fim disse que se busca enquadrar os sujeitos nas categorias. A coordenadora afirmou que a nossa infância não é vista como deveria, pois, carece de medidas preventivas e que com a infância e a adolescência é muito mais difícil de trabalhar do que com adultos. Depois da conversa fomos guiados para conhecer a parte interna e externa. Saí satisfeito por agregar conhecimento com o funcionamento interno desse local tão importante para a sociedade. Agradeço aos profissionais da saúde que me atenderam no CAPS i III e no CAPS AD III.

Abraços a todos e até minha próxima coluna.
*Professor Pesquisador em Chapecó, SC. E-mail [email protected].

Publicidade

Notícias relacionadas

SIGA O CLICRDC

147,000SeguidoresCurtir
120,000SeguidoresSeguir
13,000InscritosInscreva-se

Participe do Grupo no Whatsapp do ClicRDC e receba as principais notícias da nossa região.

*Ao entrar você está ciente e de acordo com todos os termos de uso e privacidade do WhatsApp