
A coluna abre novamente espaço para o professor e ex-militar do Exército Venezuelano, Alexander Aragol, para a opinião sobre a situação da Venezuela que, convenhamos, não está nem perto de ser estável ou aceitável. Nos últimos meses, muitos venezuelanos dizem que estão voltando à Venezuela porque “o país melhorou”, ou porque não vale mais a pena ficar no exterior. Para Aragol, voltar é uma decisão pessoal, respeitável e que diz respeito a cada um: “Ninguém é obrigado a ficar onde não quer estar, nem a justificar seu retorno a ninguém”.
Entretanto, para Alexander, quando o principal argumento para voltar é que a vida está melhor na Venezuela agora do que fora dela, essa posição é mergulhada na mediocridade: “Porque muitas vezes não se trata de uma melhora real no país, mas sim de uma comparação circunstancial e socialmente conveniente. A Venezuela não passou por uma transformação estrutural; seu sistema não mudou, suas instituições não foram fortalecidas, os direitos plenos não foram garantidos e os problemas subjacentes não foram resolvidos”.
Conforme Aragol, o que mudou, em muitos casos, foi o ambiente imediato daqueles que retornam: “Uma renda em moeda estrangeira, apoio familiar ou a possibilidade de viver em uma bolha que não representa a maioria. Dizer que a Venezuela está melhor porque agora você pode pagar uma refeição em um restaurante, comprar um telefone ou encher um carrinho de compras, o que nem todos podem fazer, é reduzir o conceito de bem-estar ao consumo, e essa é uma visão distorcida da realidade”.
Para Aragol, viver melhor não se resume a gastar; trata-se de ter estabilidade, previsibilidade, regras claras, serviços que funcionam, oportunidades reais de crescimento e um futuro que não dependa de milagres ou favores: “Emigrar é exaustivo. É exaustivo se adaptar, aprender, começar do zero, aceitar empregos com os quais você nunca sonhou, lidar com a saudade de casa e a solidão”.
De acordo com Alexander, retornar pode parecer uma vitória emocional, o que é compreensível; mas isso deve ser expresso como tal e não disfarçado com o argumento mencionado anteriormente: “É essencial enfatizar que retornar por afeto, pela família ou por uma fase pessoal da vida é uma coisa, e outra bem diferente é disfarçar o cansaço como sucesso e vender a narrativa de que o país foi consertado”.
Para Aragol, mediocridade é baixar o padrão: “É se contentar com menos e chamar isso de progresso. É preferir o familiar, mesmo que limitado, ao esforço necessário para crescer em ambientes mais competitivos em todos os setores. É mudar o discurso sem mudar a realidade. Não julgo aqueles que retornam. Não condeno aqueles que decidem ficar. Mas questiono, e com veemência, o argumento de que a Venezuela hoje oferece melhores condições estruturais do que no exterior, porque isso, simplesmente, não é verdade”, concluiu.
Recadinhos
- O tradicional jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca terminou em caos após disparos nas proximidades do evento, forçando a retirada imediata do presidente Donald Trump, do vice JD Vance e outras autoridades no sábado (25).
- Felizmente, o atirador, que portava uma espingarda, uma pistola e facas, foi contido antes de chegar perto do salão principal. Identificado como Cole Tomas Allen, ele trabalhava como professor particular e desenvolvedor de jogos.
- Conforme a newsletter The News, o episódio reacende um debate sensível nos Estados Unidos: a segurança de Donald Trump e a escalada da violência política no país.
- O republicano já sofreu duas tentativas de assassinato durante a campanha de 2024. Agora, mesmo cercado pela segurança mais robusta do país, voltou a estar no centro de mais um incidente.






