segunda-feira, abril 27, 2026
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Família de Claudete Ramos, vítima de feminicídio em Chapecó, pede justiça

O crime ocorreu no dia 05 de abril deste ano, dentro da casa onde morava o casal


Claudete Ramos tinha 47 anos, uma filha de 26, dois netos, de nove e 11 anos. Tinha irmãs e a mãe que mora próximo à casa que era dela, na Rua Teotônio Vilela, no bairro Passo dos Fortes, em Chapecó-SC. Segundo familiares, o riso era constante no rosto de Claudete, assim como a capacidade de contagiar os ambientes por onde circulava. Claudete também tinha um marido, com quem era casada há alguns anos, mas já dividia a vida há 16. Em 05 de abril deste ano, no domingo de Páscoa, ela perdeu tudo quando foi deixada sem vida e com 11 perfurações de golpes de faca espalhados pelo corpo. O investigado pela autoria do crime é o homem que além do casamento, Claudete mantinha um relacionamento disfuncional. A família pede justiça.

“Ela era muito alegre”. Foto: Divulgação/Familiares

Desde aquele domingo, a família não consegue dormir. O motivo é a “incerteza” e “injustiça” que sentem ao lembrar de Claudete. Segundo familiares, o homem com quem Claudete era casada, “tirou a paz de deitar tranquilo”. São contados os dias desde o acontecido e a família espera que ele seja encontrado, “minha família inteira está buscando ajuda”. Ele fugiu na noite do crime e ainda não foi pego pela polícia. Em entrevista coletiva na sexta-feira (17), o delegado responsável pelo caso, Deonir Moreira Trindade, relatou que o investigado teria saído da casa em que moravam há cerca de 15 dias antes do crime e familiares afirmam que o casal estaria separado quando ele retornou e “acabou ficando” na casa com Claudete ainda no dia anterior àquele domingo.  A Polícia Civil divulgou as imagens do investigado na última quinta-feira (24) para que a comunidade possa auxiliar com denúncias sobre o paradeiro dele. 

Neste ano de 2026, foram registrados entre janeiro e março, de acordo com os dados do Observatório de Violência Contra a Mulher do Estado de Santa Catarina, 12 feminicídios. No mês de abril, foram oito, que devem se somar ao número maior em breve. Dois deles no município de Chapecó. Os dados apontam a região Oeste como sendo, até o momento, a região com mais registros do crime. Sem somar o mês de abril, os dados do observatório mostram que de 100% das vítimas, 83,3% não tinham medida protetiva de urgência contra o autor. Esse também é o caso de Claudete. Segundo o delegado Deonir Moreira, ela registrou dois Boletins de Ocorrência contra o autor, em um deles alegando lesão corporal. Os dois foram registrados neste ano, mas a violência teve início há mais tempo. A família afirma que, no início, “eram xingamentos, ofensas” e nunca ficou de “braços cruzados”. Ao perceber as ameaças e comportamento do companheiro de Claudete, a família tentou avisar, oferecer ajuda, mas acreditava que Claudete “tinha medo”.

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A Psicóloga Bruna Bertollo (CRP 12/10283) explica que para que uma mulher consiga identificar a disfunção no relacionamento é fundamental que ela compreenda todas as formas de violência em potencial numa relação, não apenas agressão física. Confira na tabela abaixo as formas destacadas por Bertollo:   

Imagem: Júlia Mocellin de Carvalho/ClicRDC

Para que se encerre o ciclo de violência, em primeiro lugar é importante que a vítima tenha alguém de extrema confiança, segundo Bertollo, que seja possível contar sobre as violências, o que tende a trazer certo grau de alívio e confiança para a mulher. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) são a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e oferecem acolhimento e orientação para a violência contra a mulher. O serviço conta com profissionais capacitados para desempenhar o papel garantindo sigilo sobre o processo. Os Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS)  também oferecem atendimento especializado e contínuo. O Disque 180 é a Central de Atendimento à Mulher, serviço de utilidade pública, com ligação gratuita e em funcionamento 24h por dia. Oferece orientação sobre leis, direitos das mulheres e serviços da rede de atendimento, além do encaminhamento aos órgãos competentes. A Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) e Disque 100 também são canais e espaços que oferecem orientação, proteção e cuidado. 

Em Chapecó, a Procuradoria Especial da Mulher, uma iniciativa do Poder Legislativo, oferece acolhimento, orientação e encaminhamento para a rede de proteção. O telefone é o (49) 98418-9262 e funciona 24h. No município também funciona a Rede Catarina de proteção à mulher, programa da Polícia Militar que atualmente atende 481 mulheres.  

Hoje Claudete não tem mais o convívio com os familiares, nem a casa, nem o que uma vez foi dela, pois lhe foi tirado o direito de existir. A família continua no apelo por justiça. As imagens do suspeito podem ser acessadas clicando AQUI e qualquer denúncia pode ser feita à Polícia pelo Disque-Denúncia (181) ou ainda pelo 190 com a garantia do sigilo.

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