InícioRicardo Cavalli25 de Outubro - Participar ou Deixar que Decidam por Nós

25 de Outubro – Participar ou Deixar que Decidam por Nós

Chegamos ao segundo turno de uma eleição que, na minha visão, ultrapassa em muito a simples escolha entre dois candidatos.

Foto: Advogado – Dr Ricardo Cavalli

Nos últimos anos, vimos o Poder Judiciário ocupar um espaço cada vez maior no centro da vida política brasileira. Decisões do STF e do TSE passaram a produzir efeitos diretos sobre o debate público, sobre campanhas e sobre a própria dinâmica eleitoral. É inegável que essa atuação excessiva, somada ao histórico e às manifestações públicas de alguns magistrados, alimentou a percepção de proximidade com determinados campos políticos.

Isso é grave porque a Justiça não precisa apenas ser imparcial. Ela precisa também transmitir à sociedade a confiança de que as regras são aplicadas de maneira equilibrada e igual para todos.

É dentro desse ambiente que vejo dois cenários possíveis.

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No primeiro, Flávio Bolsonaro vence.

Uma vitória sua representaria uma mudança significativa na correlação de forças políticas e institucionais do país. Haveria enorme expectativa por reformas, por uma redefinição da relação entre Executivo, Congresso e Supremo e, principalmente, pela recuperação de um equilíbrio mais claro entre os Poderes.

O desafio seria fazer essa mudança dentro das instituições, transformando insatisfação em colocar as coisas no prumo, e não apenas substituindo um confronto por outro.

No segundo cenário, Lula vence.

Nesse caso, acredito que a tensão institucional continuará sendo um dos grandes problemas do país. Uma parcela muito expressiva do eleitorado já demonstra profunda desconfiança em relação à atuação das instituições, e um resultado apertado poderá ampliar ainda mais essa percepção e gerar novamente não reconhecimento do resultado final.

Mas existe um terceiro elemento que, para mim, pode ser o verdadeiro protagonista deste segundo turno: quem não votou no primeiro.

Milhões de brasileiros falaram através da ausência. Alguns por desânimo, outros por descrença, outros porque não se sentiram representados por nenhuma das alternativas.

E os números mostram a dimensão desse fenômeno: no primeiro turno, a abstenção chegou a 21,08% do eleitorado, o equivalente a aproximadamente 33,4 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas. Foi o maior índice de abstenção em um primeiro turno presidencial desde 1998. É um contingente expressivo demais para ser tratado como detalhe — e que pode ter peso decisivo no segundo turno.

Só que agora a situação é diferente.

No segundo turno, ficar em casa também é uma escolha — e uma escolha com consequência.

Quando uma eleição é equilibrada, quem se abstém entrega aos outros o direito de decidir o rumo do país. Não votar não significa ficar neutro. Significa aceitar a decisão tomada por quem compareceu.

E talvez esteja justamente aí a grande incógnita desta eleição. O que farão aqueles que se abstiveram no primeiro turno?

Não é necessário acreditar que exista um candidato perfeito. Eleições muitas vezes exigem escolhas entre alternativas reais, com virtudes, defeitos e riscos. Mas democracia exige participação.

Por isso, acredito que esta reta final precisa ser marcada principalmente por uma convocação à cidadania.

Quem ficou em casa no primeiro turno tem agora uma nova oportunidade de participar da decisão.

No dia 25 de outubro, o Brasil estará diante de uma escolha que vai muito além de nomes e partidos. Será uma decisão sobre o rumo político, institucional e democrático do país.

E, nesse momento, cada eleitor terá duas opções muito claras. Participar da decisão ou deixar que outros decidam por você, porque, no fim, é disso que se trata o dia 25 de Outubro — participar ou deixar que alguém decida por nós.

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