
Estive ontem (4) na capital do trabalho e segunda maior cidade do Oeste Catarinense, Concórdia, para averiguar em pessoa a situação da BR-153, principalmente no trecho entre a Vila Jacob Biazus, em Concórdia, e a Linha Carvoreira, em Irani. Em função do “ótimo” estado da SC-283, no trecho entre Chapecó e Concórdia, saí do carro de reportagem do ClicRDC com as pernas bambas. Mas hoje, não vou falar sobre um problema que todos já devem conhecer.
A BR-153 é a rodovia da produção do Alto Uruguai catarinense: uma microrregião de 12 municípios com 160 mil habitantes, sendo que deles, 90 mil moram em Concórdia. Durante a hora e meia que gastamos rodando e gravando material às margens da rodovia, cerca de 70% dos veículos que transitaram eram caminhões e carretas. Esse trecho da Rodovia Transbrasiliana, que liga o interior do Pará à fronteira do Brasil com o Uruguai, possui uma das maiores concentrações de veículos de carga do Sul do país.
A Associação Empresarial de Concórdia na Audiência Pública com representantes da ANTT em 8 de julho, mostrou claramente que a intenção inicial do Governo Federal é de conceder o trecho da BR-153 entre Irani e a divisa entre o Rio Grande do Sul para a iniciativa privada sem o compromisso de que o governo ou a empresa vencedora do leilão duplique qualquer parte do trecho, instale marginais no perímetro urbano de Concórdia, faça passarelas na Vila Jacob Biezus, e remodelação dos trevos de acesso ao interior.
Esta reportagem que irá ao ar em breve não necessita sensibilizar os candidatos destas eleições, e sim os servidores efetivos da ANTT, visto que o leilão do lote de concessão em que este trecho está incluído será em novembro. A responsabilidade desse planejamento insuficiente e vergonhoso não é de quem será eleito, e sim de quem ainda está no poder.
Evangélico dá voto
A segunda vaga de suplência na chapa de Caroline de Toni (PL) ao Senado, conforme o jornalista Upiara Boschi, foi definida ontem: Andrei Tomazi foi apresentado a Jorginho Mello como indicação da Assembleia de Deus para eventual suplência. O governador entende que contemplou o segmento evangélico com essa indicação e com Balduíno Ferreira, presidente estadual da Igreja do Evangelho Quadrangular, como segundo suplente de Carlos Bolsonaro (PL).
Isso mostra que, somado ao comentário que fiz na edição de ontem da coluna sobre o jingle principal da campanha de Lula (PT) à reeleição, temos aqui mais uma prova de que evangélico, há muito tempo, dá voto e é decisivo nas eleições. O problema é que o povo evangélico é usado por muitos políticos, e verdadeiramente representado por poucos.
Recadinhos
- Pela primeira vez desde a redemocratização, um pré-candidato à Presidência com mais de 30% nas pesquisas caminha para disputar o primeiro turno sem nenhuma legenda aliada, conforme a newsletter The News.
- Ontem, o Republicanos confirmou, na convenção nacional em Brasília, que não apoiará formalmente nenhum candidato ao Planalto. A decisão veio dias depois da Federação União Progressista também negar aliança a Flávio Bolsonaro.
- Desde a eleição de 1989, todo candidato que terminou o primeiro turno entre os dois primeiros colocados teve o apoio de pelo menos um partido. Se o cenário atual persistir, Flávio pode ser o primeiro a quebrar esse padrão em 37 anos.
- Sem alianças, Flávio deve ficar restrito ao tempo de propaganda do próprio PL, enquanto Lula, com uma frente de ao menos sete partidos, pode concentrar quase metade de todo o tempo disponível na TV e no rádio.





