
Uma matéria do portal de notícias da Band me chamou a atenção durante a manhã de hoje (30): a ausência de maquinário pesado é o maior obstáculo enfrentado pelas equipes de resgate voluntárias na operação de retirada de pessoas vivas dos escombros causados pelos terremotos na Venezuela registrados na última quarta-feira (24).
Conforme a Band, críticos apontam que, enquanto Caracas e centros urbanos principais receberam investimentos ao longo dos anos, as regiões periféricas foram negligenciadas pelo regime atual e pelos governos anteriores, de Hugo Chávez (1999-2013) e de Nicolás Maduro (2013-2026). Inclusive, foram resgatados nas redes sociais imagens da inauguração de um conjunto habitacional no estado de La Guaira, o mais afetado pelos terremotos, onde foi usado pela ditadura espuma de colchão na construção das casas.
A resposta das autoridades venezuelanas tem sido classificada pelo povo e pela imprensa local e internacional como escassa e limitada. Diante da fragilidade da infraestrutura e do receio de novos tremores ou colapsos, o medo tomou conta da população, que tem evitado permanecer dentro das residências. Os terremotos na Venezuela mostraram ao mundo mais uma face de tudo aquilo que a sede pelo poder foi capaz de desgovernar num país que, nos anos 1980, era símbolo de prosperidade e progresso para a América Latina.
O último grande desastre na Venezuela, que pode ser considerado do mesmo porte dos atuais terremotos, foram as enchentes de dezembro de 1999. Ali, oficialmente, morreram 16 mil pessoas, entretanto, funcionários do governo venezuelano, recém assumido por Hugo Chávez à época, afirmaram que o total de falecimento chegou aos 30 mil. De lá para cá, convenhamos, teríamos tempo suficiente de ter uma Defesa Civil forte a nível nacional, com investimentos em prevenção e orientação. Pelo jeito, pouco foi feito.
Não somente na Venezuela existem desafios para que a ajuda aos flagelados pelos terremotos efetivamente chegue. Em Chapecó, antes de ontem (29), não havia garantias por parte da Pastoral do Migrante da Arquidiocese de Chapecó de que a arrecadação espetacular de mantimentos que está sendo realizada pela comunidade venezuela e pela população em geral conseguiria ser transportada até Curitiba, onde será despachada pelo Governo do Estado do Paraná para a Venezuela.
Ontem, uma reunião entre a Pastoral do Migrante e representantes do Sindicato das Empresas do Transporte de Carga e Logística de Chapecó (Sitran) confirmou a generosidade do povo do Oeste Catarinense: de forma escalonada e organizada, serão ofertados caminhões para o transporte das várias toneladas de materiais arrecadados até Curitiba. A Defesa Civil de Chapecó está apoiando no armazenamento das doações que já foram organizadas e embaladas.
Recadinhos
- Você pode fazer sua doação de alimentos não perecíveis, água potável, produtos de higiene e limpeza, lanternas e ferramentas para os flagelados na Venezuela em diversos pontos de Chapecó.
- As duas unidades do Fort Atacadista, o Celeiro Sul, a padaria Arte do Bom Pão, no bairro Santo Antônio; o supermercado Unicooper e o Amo Place, no Calçadão, aguardam sua doação nos seus horários normais de atendimento.
- Você também pode doar no PIX monitorado pela Pastoral do Migrante, onde empresários venezuelanos que moram em Chapecó estão no país vizinho comprando mantimentos: chave telefone (49) 9 9149-9275, em nome de Efraín Pina.
- Falando em Celeiro, hoje (30) é o último dia de operações dos quatro supermercados da empresa sob esta marca. Se encerra uma história de 55 anos iniciada em maio de 1971. Vai deixar saudade!






