
Cedo o espaço de hoje da coluna, novamente, ao ex-militar do Exército Venezuelano e professor Alexander Aragol, morador de Chapecó. Dessa vez, pelo triste motivo do duplo terremoto registrado na noite de quarta-feira (24) na Venezuela, que deixou centenas de mortos e milhares de feridos. Alexander me escreve num momento em que, para ele, “apenas o silêncio permanece como testemunha”.
Aragol afirma que o que aconteceu em seu país não admite trivialidades ou tratamento frívolo: “Não é material para zombaria, nem combustível para viralização oportunista, nem desculpa para teatralizar a dor alheia. É, acima de tudo, mais uma expressão de uma tragédia prolongada que corroeu o cotidiano de milhões de pessoas”.
Alexander observou com “uma mistura de indignação e lucidez” como certos indivíduos instrumentalizaram essa realidade para fabricar notoriedade: “Transformaram o sofrimento coletivo em mercadoria simbólica, espetáculo consumível, narrativa lucrativa. Não analisam, exploram. Não refletem, caricaturam. Eles não se solidarizam com os outros, se alimentam deles. Essa prática não é apenas eticamente repreensível, é intelectualmente desonesta”.
Para Aragol, a Venezuela não é uma anedota, um meme ou um artifício retórico para autopromoção: “Falar sobre o nosso país exige uma responsabilidade que muitos evitam deliberadamente. Exige compreensão contextual, sensibilidade moral e, acima de tudo, respeito. Porque quando a dor é banalizada, a indiferença se normaliza. E quando a indiferença se normaliza, a dignidade se torna dispensável. A partir desta hora tardia, escrevo não para argumentar, mas para testemunhar”.
Alexander se recusa a aceitar que essa tragédia seja objeto de ridículo: “Resisto a participar do circo emocional que transforma o sofrimento venezuelano em entretenimento. E afirmo com plena consciência que nem tudo deve ser dito, registrado ou compartilhado, se lhe faltar profundidade e humanidade”.
Na opinião de Aragol, a Venezuela não precisa de mais vozes estridentes, nem de risos deslocados. Precisa de pensamento crítico, memória ética e uma perspectiva profundamente humana: “Escrevo isto agora porque há verdades que só ousam emergir quando o mundo silencia, permitindo que o mundo fale por si mesmo”, conclui. De parte do colunista, minhas orações e pedidos a Cristo Jesus que este pesadelo seja uma oportunidade de verdadeira reconstrução da alma e do espírito dos venezuelanos.
Recadinhos
Antes da decisão, não havia teto definido para o pagamento desses penduricalhos. Os tribunais e o Ministério Público recebiam esses adicionais usando resoluções próprias.
Durante o final de semana, o STF formou maioria para liberar o pagamento de parte dos chamados “penduricalhos” a juízes e membros do Ministério Público, conforme a newsletter The News.
Os oito ministros que já votaram foram a favor da medida. Faltam os votos de Cármen Lúcia e Nunes Marques.
Em março, o Tribunal decidiu, por unanimidade, que juízes e promotores não poderiam receber mais do que 35% acima do teto do funcionalismo em verbas extras.







