
A coluna encerra hoje (20) a série de edições em colaboração com o doutor Márcio Bueno, advogado, gestor e analista de políticas em Segurança Pública, palestrante em Crime Organizado, professor de pós-graduação em Segurança Pública e presidente do Conselho de Segurança do Município de Chapecó. O tema que está sendo tratado é o peso da vitória do candidato de extrema-direita, Abelardo de la Espriella, na disputa presidencial da Colômbia, na política de segurança pública do país.
O Porto de Santos, maior porto do Brasil e da América Latina, é o ponto crítico da distribuição de cocaína para a Europa. Segundo a Europol, agência europeia de inteligência policial, mais de 90% da cocaína que chega à Europa passa pelas rotas controladas pelo PCC: ”O PCC construiu uma rede de conexões que vai desde a máfia albanesa até a ‘Ndrangheta, a principal máfia italiana, para distribuir a cocaína no continente europeu. Em troca dessa logística, o PCC recebe armamentos provenientes do Paquistão”, afirma Bueno.
Para Márcio, existe uma “inoperância do governo federal brasileiro” na coordenação de políticas de combate ao tráfico pelo Porto de Santos: “A falta de estratégia governamental integrada permite que a droga saia de lá com uma facilidade extraordinária. O porto entrou na lupa das agências europeias e das autoridades americanas, que estão monitorando de perto o que acontece no local. A ineficiência do governo brasileiro em implementar políticas públicas efetivas de controle é vista como um problema que não pode mais ser escondido”.
A União Europeia está em vias de equiparar o PCC e o Comando Vermelho à condição de organizações terroristas, elevando ainda mais a pressão internacional sobre essas facções: “Para facções de países vizinhos que agora enfrentam governos de direita apertando a luta contra o crime, o Brasil oferece um porto seguro, literalmente. O Brasil permanece como o único grande mercado da região com capacidade logística para distribuir drogas globalmente com facilidade”, afirma Bueno.
Com a posse de Abelardo de la Espriella em 7 de agosto, para Márcio, a Colômbia adotará um confronto direto com o crime organizado, alinhada com a agenda de Donald Trump: “Espriella prometeu uma ofensiva militar contra grupos narcotraficantes. Esta mudança criará pressões que resultarão na migração de atividades criminosas para o Brasil, que está isolado ideologicamente na região, cercado por vizinhos de direita que apertam a luta contra o crime, se tornando um refúgio natural para facções internacionais”.
O PCC já opera em 29 países. O Comando Vermelho expandiu sua presença para a Amazônia e outras regiões. O Trem de Aragua já fornece armas. Sebastián Marset já é aliado do PCC. Por tudo isso, Bueno conclui afirmando que “o Brasil não é apenas um destino futuro do crime organizado. É o presente”. Que consideremos na decisão de nossos votos nestas eleições a gravidade do crime organizado em nossa sociedade.
Recadinhos
- Na última terça-feira (14), foi rejeitada por 10 votos a nove o projeto de resolução proposto pelo vereador Wilson Cidrão (Novo) para que seja descrito o gasto com passagens aéreas por parlamentar da Câmara de Vereadores de Chapecó.
- Fontes afirmaram à coluna que pode haver uma coincidência entre os que gastaram mais em passagens aéreas no ano passado e os que votaram contra o projeto de resolução.
- Votaram a favor os vereadores André Kovaleski (PL), Elisiani Sanches (PSD), Fernando Cordeiro (PL), Paulinho da Silva (PCdoB), Cleber Fossá (MDB), Deise Scilke (PT), Cesar Valduga (PCdoB), Ivaldo Pizzinatto (União) e Cidrão.
- Votaram contra os vereadores Adão Teodoro (PSD), Aderbal Pedroso (PSD), Ferrari (PSD), Edi Folle (PSD), Sica (PP), Cleiton César (PP), Nivaldo Rosa (PSD), Neuri Mantelli (PSD), Valdemir Stobe (PSD) e Victor Monteiro (Republicanos).







