InícioPolítica e CotidianoEleições 2026: Flávio e Lula engoliram a Band no debate

Eleições 2026: Flávio e Lula engoliram a Band no debate

Confira a coluna do jornalista André de Lazzari

Foto: Isadora Reicher

Uma lambança. Um caos. Uma carnificina. Esse foi o primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República ocorrido na noite de ontem (18), pelo pool liderado pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, e que via Rede Bandeirantes de Rádio foi transmitido pela Condá FM. Com nenhum confronto direto entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) com tema delimitado, a inovação feita pela Band em 2022 engoliu a própria organização do debate quatro anos depois.

O famoso “banco de minutos”, onde ambos os candidatos tinham 15 minutos para administrar cada um como quisesse, podendo interromper o adversário, e com tema livre, fez com cerca de 25 milhões de brasileiros que acompanhavam o debate por rádio, TV e internet, tivessem 30 dos piores minutos das comunicações no Brasil em 2026.

É importante ressaltar que as regras de qualquer debate eleitoral precisam ser aprovadas por todas as campanhas envolvidas para que o debate aconteça de fato. No caso de ontem, suspeito que a Band tenha proposto às campanhas de Flávio e Lula outras dinâmicas usadas em debates anteriores, como perguntas de jornalistas a candidatos (e não só dos mediadores, como vimos ontem), questionamentos pré-gravados de lideranças nacionais e de eleitores, e principalmente, confrontos entre candidatos com temas específicos.

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Se as campanhas tiveram isso na mesa e não aceitaram nada, a Band teria apenas duas opções: não fazer o debate e perder uma oportunidade de faturamento e audiência raros para a emissora; ou fazer o confronto com o risco que virasse uma baixaria. O risco foi assumido, e para mim, o Grupo Bandeirantes de Comunicação perdeu uma pequena parte do pedigree que tinha na cobertura eleitoral após o debate de ontem. Não por culpa do competente jornalismo da emissora, mas pela burocracia que envolve um evento desses.

Assuntos do debate
O primeiro bloco foi aberto com uma pergunta sobre segurança pública. Flávio disse que iria classificar as facções como organizações narcoterroristas. Lula disse que pretende avançar na criação do Ministério da Segurança Pública. Nesse momento, Flávio adotou uma estratégia que manteve até o fim: nas falas do Lula, ele se posicionava no fundo da cena, fazendo caras, gestos e reações. Além de desconcentrar Lula, a estratégia faz ele aparecer nos cortes de redes sociais do Lula.

Na hora do banco de minutos, Flávio questionou Lula sobre a lobista Roberta Luchsinger e as investigações envolvendo o Lulinha, filho do presidente. Já Lula pediu explicações de Flávio sobre os R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. A partir daí, esses temas viraram os pontos centrais de cada lado e os candidatos passaram o restante do tempo livre trocando acusações e pedindo explicações, mas sem muitas respostas.

Ainda no confronto direto, Flávio pergunta o porquê de 73% dos presos terem votado no Lula no primeiro turno. O presidente responde com: “Eu quero que vote os 100%. Até seu pai”. No segundo bloco, os candidatos falaram sobre suas propostas para a saúde. Flávio disse que seu objetivo era elevar o SUS para o “padrão Einstein”, e Lula questionou se a proposta de Flávio significaria privatizar o SUS.

Recadinhos
Eduardo Oinegue recebeu duras críticas pela sua mediação no debate, chegando a ser chamado de “inútil” por jornalistas especializados em TV. Adriana Araújo, que fez dupla com Oinegue, foi elogiada, e está em um excelente momento da carreira.
Iniciadas pela França, manifestações e protestos tomaram conta de várias regiões da Europa ontem, conforme a newsletter The News.
Na França, 550 mil pessoas foram às ruas em protesto, segundo dados do governo. Os franceses se uniram em manifestações por melhores condições de ensino e contra o alto custo de vida.
Com o caos, políticos de esquerda e direita pediram a renúncia do ministro do Interior, Laurent Nuñez, criticando sua falta de preparação. Em todo o país, 1.800 pessoas foram presas.

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