
O cientista político Caleb Bentes, de Videira, novamente colabora com nossa coluna nas edições de ontem (4) e hoje (5), para mostrar sua análise sobre o desempenho econômico de Chapecó de janeiro a março deste ano. Para o cientista político, o cooperativismo, em Chapecó, além de modelo econômico é também um traço de identidade regional que conecta o produtor rural à mesa de consumidores em dezenas de países.
Entretanto, Caleb defende olhar com atenção ao fato de que as tarifas americanas sobre parceiros internacionais é uma variável que Chapecó deve acompanhar com cuidado, como qualquer município exportador: “A chance de uma nova imposição de tarifas sobre produtos brasileiros por parte dos Estados Unidos não é improvável. A boa notícia é que a estrutura exportadora do município opera com elevada diversificação de destinos, o que reduz a exposição a qualquer mercado específico e amortece eventuais impactos externos”.
Diferentemente de municípios cuja pauta tem dependência mais concentrada em um único parceiro comercial, como o caso de Caçador, Chapecó possui a proteção natural que a diversidade de 47 países compradores proporciona: “Manter e ampliar essa diversificação deve ser prioridade”, afirma Bentes.
Para Caleb, o que chama atenção na atual gestão municipal é que ela não trata o desenvolvimento como fenômeno espontâneo: “A taxa de investimento público de 19,4%, que se traduz em mais de R$ 270 milhões aplicados, com novos pacotes de obras anunciados para 2026, nos mostra uma postura ativa de indução do crescimento. A conquista do Selo Prata de Ecossistema de Inovação 2025, no Connected Smart Cities em São Paulo, é outro sinal nessa direção”.
Chapecó não somente produz bem, mas vem construindo atores e estruturas para inovar: “O Pollen Parque, o ChapHub, o Simplifica Chapecó, a articulação com a UFFS, a Unochapecó, a Udesc, o IFSC e o Senai formam um ecossistema em construção. Esse é o fio condutor que conecta o presente ao futuro”, avalia Bentes.
A agroindústria, na visão de Caleb, continuará sendo o motor central da economia chapecoense, e “deve ser”, porque é ali que reside a vantagem competitiva acumulada da cidade: “Mas o horizonte de médio e longo prazo pede que sobre essa base se construam camadas de maior sofisticação. Tecnologia aplicada ao agronegócio, biotecnologia, automação industrial e agrícola, formação de mão de obra de alta qualificação”.
Bentes conclui afirmando que o 1º trimestre de 2026 trouxe um desempenho impressionante e nunca antes visto para Chapecó, mas o que mais importa é que esse desempenho venha acompanhado de uma visão de longo prazo: “Municípios que crescem com consistência são aqueles que sabem de onde vêm, entendem onde estão e conseguem articular, com o setor privado e o meio acadêmico, para onde querem ir”.
Recadinhos
- As recentes decisões do Congresso, incluindo o “não” ao Jorge Messias ao STF, acenderam um alerta no Palácio do Planalto, conforme a newsletter The News.
- Nos bastidores, a leitura é que partidos como PP e União Brasil estão cada vez mais próximos de um apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
- O movimento passa diretamente por Davi Alcolumbre. Presidente do Senado, ele é visto como peça-chave nesse reposicionamento, mesmo negando articulação política.
- Na prática, uma aproximação dos dois partidos daria a Flávio mais dinheiro do fundo eleitoral e tempo de TV e rádio do que Lula (PT).






