
Prosseguimos com a série de edições da coluna com a colaboração do advogado, professor de Pós-Graduação em Segurança Pública, e presidente do Conselho de Segurança do Município de Chapecó, Márcio Bueno, sobre os avanços no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV) depois que o Departamento de Estado dos Estados Unidos designou ambas organizações como terroristas, em 5 de junho deste ano.
A estrutura global confirmada
A investigação do FBI revelou dados importantes sobre a estrutura operacional do PCC, na opinião de Márcio: “O PCC é hoje o maior distribuidor de cocaína para a Europa, operando em Portugal e em países da África com sofisticação empresarial. O Comando Vermelho, por sua vez, está fortemente presente na África, controlando rotas estratégicas de tráfico. Nos Estados Unidos, ambas as facções têm atividades identificadas em 12 estados diferentes”.
No Brasil, o domínio é ainda mais abrangente, conforme Bueno: “Enquanto o PCC domina São Paulo como sua base principal, sua presença se estende por todos os estados brasileiros, operando em múltiplas frentes de tráfico, lavagem de dinheiro e financiamento de operações criminosas. O Comando Vermelho domina o Rio de Janeiro e expande sua influência pela Amazônia e regiões fronteiriças”.
A rede desmantelada pelo FBI contava com uma divisão clara de trabalho: facilitadores identificavam oportunidades, transportadores movimentavam o dinheiro, mensageiros coordenavam operações. Conforme Márcio, essa estrutura permitiu que o PCC operasse simultaneamente em sete cidades americanas diferentes, coletando dinheiro do tráfico de drogas de forma coordenada e sistemática: “É a estrutura de uma multinacional do crime, não de uma simples facção de presídio”.
A ligação com o Hezbollah
Um argumento que reforça ainda mais a tese de que a equiparação é correta é a comprovada ligação do PCC e do Comando Vermelho com o Hezbollah, organização terrorista internacional designada pelos Estados Unidos desde 1997, na opinião de Bueno: “Essa não é uma aliança casual ou pontual. É uma parceria estruturada que remonta a 2006 e opera principalmente na Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai”.
Como denunciou em agosto o politólogo brasileiro André Lajst, presidente da filial brasileira da StandWithUs, organização internacional dedicada à luta contra o antissemitismo, o Hezbollah estreitou vínculos com o PCC especificamente para fortalecer suas estruturas de narcotráfico, tráfico de armas e lavagem de dinheiro na região.
Segundo investigações da Polícia Federal, o PCC prometia dar proteção a presos de uma quadrilha libanesa nas penitenciárias brasileiras. Em contrapartida, o PCC ganhava vantagem no tráfico de diversos mercados ilícitos com a facilitação do Hezbollah, que opera com lavagem de capitais, contrabando de cigarros e armas, especialmente na Tríplice Fronteira.
Antes do PCC, foi o Comando Vermelho quem inicialmente colocou o Hezbollah no esquema criminoso brasileiro, com o narcotraficante Luiz Fernando da Costa, conhecido como Fernandinho Beira-Mar, estreitando esses negócios: “Essa aliança permitiu que ambas as facções expandissem suas operações internacionais com o apoio de uma organização terrorista com décadas de experiência em financiamento de atividades ilícitas globais”, analisa Márcio.
Recadinhos
- O plano de saúde deixou de ser um item de RH e passou a disputar espaço com salários na planilha financeira das empresas. Isso porque, em alguns setores, o benefício já representa entre 15% e 20% do custo total da folha de pagamento.
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