
Iniciamos hoje (1º) uma série de edições da coluna com a colaboração do advogado, professor de Pós-Graduação em Segurança Pública, e presidente do Conselho de Segurança do Município de Chapecó, Márcio Bueno, sobre os avanços no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV) depois que o Departamento de Estado dos Estados Unidos designou ambas organizações como terroristas, em 5 de junho deste ano.
Márcio sustenta que, enquanto críticos argumentavam que essa classificação traria apenas riscos à soberania nacional e prejudicaria a cooperação com os Estados Unidos, ele defendia que a classificação seria a ferramenta jurídica e operacional capaz de desmantelar a estrutura financeira e logística dessas corporações do crime: “Agora, a história valida minha análise. Os Estados Unidos reconhecem o que eu já havia identificado. Estamos lidando com entidades que transcendem o conceito tradicional de crime organizado e operam como corporações do terror que ameaçam a soberania de nações inteiras”.
O FBI continua investigando
Um dos argumentos mais comuns dos críticos, segundo Bueno, era que o FBI deixaria de investigar o PCC e o CV, e que as autoridades brasileiras perderiam acesso à inteligência americana. A realidade provou o contrário: “Após a classificação do governo americano, o FBI conduziu operações que desmantelaram uma rede sofisticada de lavagem de dinheiro para o PCC operando nos Estados Unidos. A investigação resultou na prisão de seis homens, sendo cinco cidadãos brasileiros e um americano, todos moradores da região de Orlando, estado da Flórida”.
O esquema funcionava com precisão empresarial. O total lavado nessa rede chegou a US$ 30 milhões: “Aqui está o ponto crucial que refuta completamente os críticos: as confissões de culpa dos réus ocorreram após a entrada em vigor da classificação como terrorista”, argumenta Márcio.
Os seis indivíduos presos enfrentam penas de até 20 anos de prisão, o que na opinião de Bueno é muito superior ao que receberiam sob a classificação anterior de mero crime organizado: “Após cumprirem a pena, os réus estrangeiros, brasileiros, estarão sujeitos às leis migratórias americanas e enfrentarão remoção ou expulsão obrigatória dos Estados Unidos”.
Após a equiparação entrar em vigor, em junho, o FBI e a polícia migratória dos Estados Unidos, o ICE, intensificaram as operações. Em quinze de junho, apenas dez dias após a classificação como terrorista, Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, conhecido como “Don”, ex-líder criminoso ligado ao PCC e CV, foi preso na Carolina do Norte após uma perseguição.
Em 1º de julho, o Tesouro americano anunciou sanções contra Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, três empresas sediadas em São Paulo e uma em Portugal, acusadas de movimentar mais de US$ 30 milhões em esquemas de lavagem de dinheiro para o PCC. Shimada atuava como principal elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais, lavando recursos através de transferências em criptomoedas.
Para Márcio, os críticos estavam completamente errados: “O FBI não parou de investigar. As polícias locais continuaram colaborando. A inteligência foi compartilhada normalmente. A classificação como terrorista não centralizou tudo no Departamento de Estado ou na CIA, mas potencializou o trabalho das agências operacionais. As operações posteriores à equiparação demonstram que o combate se intensificou, não diminuiu”.
Recadinhos
- Depois de Flávio Bolsonaro (PL), ontem (31) foi a vez de Lula (PT) se reunir com grandes nomes da economia brasileira.
- O presidente se reuniu com cerca de 15 empresários e banqueiros em Brasília. Entre os convidados estão nomes como André Esteves (BTG Pactual), Roberto Setubal (Itaú), Luiz Carlos Trabuco (Bradesco) e os irmãos Batista (JBS).
- Segundo informações, as principais medidas cobradas do presidente foram responsabilidade fiscal e redução da taxa de juros em um eventual quarto governo.
- Tanto Lula como auxiliares presentes no encontro afirmaram concordar com a agenda. O presidente teria pedido ajuda para que os convidados convencessem outros nomes da economia a acreditarem no governo.





