
A mulher de 69 anos acusada de mandar matar a companheira do ex-marido será julgada pelo Tribunal do Júri nesta sexta-feira (27), a partir das 8h, na 1ª Vara Criminal da Comarca de Chapecó. O caso, denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina, envolve uma tentativa de homicídio qualificado registrada em 2019 e já resultou na condenação de outros envolvidos.
Segundo a denúncia, a acusada teria procurado uma cartomante na tentativa de reatar o relacionamento com o ex-marido, que estava em novo relacionamento. Como o suposto “trabalho espiritual”, que teria custado cerca de R$ 300 mil, não teria surtido efeito, a cartomante teria sugerido o assassinato da atual companheira do homem.
Ainda conforme o Ministério Público, um atirador foi contratado pelo marido da cartomante para executar o crime, com a orientação de simular um latrocínio (roubo seguido de morte). Do valor de R$ 35 mil prometido, R$ 15 mil teriam sido pagos antecipadamente.
O atentado ocorreu na tarde de 3 de junho de 2019, no Centro de Chapecó. A vítima foi atingida por três disparos na cabeça, mas sobreviveu após ser socorrida a tempo. O autor dos tiros, de nacionalidade paraguaia, fugiu em uma motocicleta, sendo preso minutos depois.
De acordo com a acusação, após o crime, a cartomante ainda teria exigido mais dinheiro da mulher para deixar a cidade com o marido. Sob ameaça de morte contra ela e o neto, a agora ré teria entregue cheques que somavam R$ 800 mil, dos quais R$ 90 mil foram compensados.
Outros envolvidos já foram condenados
O autor dos disparos foi condenado em 25 de novembro de 2021 a 15 anos e oito meses de prisão, em regime fechado. Em maio de 2022, durante o segundo júri do caso, a cartomante foi condenada a quatro anos de reclusão por extorsão. No mesmo julgamento, o marido dela recebeu pena de 12 anos de prisão, também em regime fechado. O processo tramita em segredo de justiça.
A sessão desta sexta-feira ocorre após adiamentos anteriores, incluindo o cancelamento de um júri previsto em dezembro, a pedido da defesa, que informou que a acusada estava internada em clínica psiquiátrica.
O Ministério Público sustenta que o crime foi cometido por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, que ficou com lesões cerebrais graves e permanentes em decorrência dos disparos.







