Voo da Chape: Senado instaura CPI sobre situação dos familiares das vítimas

A CPIChape tem como missão apurar, no prazo de 180 dias, a situação dos familiares dos mortos na queda do avião em 2016

Foto: Divulgação/Senado Notícias

Informações: Senado Notícias

A comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre a situação dos familiares de vítimas do acidente de avião com a equipe da Chapecoense será presidida pelo senador Jorginho Mello (PL-SC). O vice será o senador Dário Berger (MDB-SC), e o relator, o senador Izalci Lucas (PSDB-DF). Os integrantes foram definidos na reunião de instalação da CPI, nesta quarta-feira (11). A comissão será composta por 11 membros titulares e 7 suplentes.


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A CPIChape tem como missão apurar, no prazo de 180 dias, a situação dos familiares dos mortos na queda do avião que transportava jogadores, comissão técnica e diretoria da Associação Chapecoense de Futebol, assim como a situação dos familiares dos jornalistas e convidados que perderam suas vidas. O grupo também deverá investigar e identificar o motivo de os familiares ainda não terem recebido as devidas indenizações pelas 71 pessoas mortas no acidente.

Jorginho destacou que o trabalho a ser realizado pela CPI ajudará as famílias, que, segundo ele, sofreram com a tragédia e sofrem até hoje com o descaso. 

— Esta CPI é um forma de fazermos com que seja chamada a atenção de todos para que a gente consiga ajudar as famílias dos jogadores e da diretoria. Vamos trabalhar para ajudar nem que seja um pouquinho os familiares das vítimas da Chapecoense — disse o presidente da comissão. 

De acordo com Jorginho, a queda do avião da Chapecoense poderia ter sido evitada se houvesse um controle maior sobre as empresas aéreas em relação ao cumprimento regras básicas de segurança, avaliação documental da aeronave e da empresa aérea. O descontrole foi agravado, no caso do time catarinense, pelo fato de o avião não ter combustível suficiente para chegar ao destino, diz. Segundo o senador, não há discussão quanto ao fato de caber ou não indenização às vítimas, mas sim quanto ao porquê da demora tão grande no pagamento das indenizações.

“Outro ponto que merece ser analisado refere-se ao valor que a seguradora [Bisa] e os resseguradores [liderados pela Tokio Marine, uma das maiores seguradoras do mundo, com amplos negócios no Brasil, incluindo os seguros envolvendo a Petrobras] ofereceram aos familiares através de um autodenominado Fundo Humanitário, que exige daqueles que o receberem a quitação total e irrestrita de todos os envolvidos no acidente, inclusive a seguradora e resseguradoras, valor este irrisório, demonstrando um grande descaso e desrespeito com aqueles que ainda sofrem pela morte de seus entes queridos, e essas empresas faturam milhões de reais dos cidadãos brasileiros e do erário público”, destaca o senador. 

O parlamentar acrescenta, ainda, que “é uma vergonha que tal demanda tenha tido a necessidade de vir até o Senado da República sem ter ainda um desfecho e sem terem os familiares recebido as indenizações que lhes são de direito”.  

Até o momento, nenhuma família recebeu valores referentes a seguros e indenizações.