InícioECONOMIAConsumo nos lares brasileiros acumula alta de 2,70% até setembro, aponta Abras

Consumo nos lares brasileiros acumula alta de 2,70% até setembro, aponta Abras

Indicador caiu 1,46% em setembro na comparação com agosto, mas permanece positivo no acumulado do ano; entidade destaca influência do mercado de trabalho e da renda das famílias

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O consumo nos lares brasileiros acumulou alta de 2,70% entre janeiro e setembro de 2026, segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O resultado ficou praticamente estável em relação ao acumulado até agosto, quando o avanço era de 2,71%.

Apesar do crescimento no ano, o indicador recuou 1,46% em setembro na comparação com agosto. Em relação ao mesmo mês de 2025, porém, houve alta de 0,59%.

O levantamento considera diferentes formatos de supermercados, desde estabelecimentos de bairro até grandes redes. Os dados foram corrigidos pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Como ficou o consumo nos supermercados em setembro?

A queda mensal de 1,46% interrompeu dois meses consecutivos de crescimento. Em julho, o consumo havia avançado 3,01%, enquanto agosto registrou alta de 2,21%.

Segundo a Abras, o recuo de setembro também foi observado nos mesmos meses de 2024 e 2025, quando o indicador caiu 1,30% e 0,94%, respectivamente.

Mesmo com a retração mensal, o resultado acumulado continua positivo. Para a entidade, o desempenho reflete a continuidade do consumo das famílias, que precisam equilibrar as compras para abastecer a casa com outras despesas do orçamento.

Como o emprego e a renda influenciam o consumo?

O vice-presidente da Abras, Marcio Milan, destacou que os indicadores do mercado de trabalho contribuem para sustentar as compras das famílias.

A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, enquanto a população ocupada chegou a 103,5 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica.

O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos alcançou R$ 3.777, com crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2025. Já a massa de rendimento real habitual chegou a R$ 385,6 bilhões, alta anual de 4,8%, equivalente a R$ 17,5 bilhões a mais.

Quais pagamentos também podem movimentar o consumo?

A Abras cita transferências de renda e pagamentos de valores atrasados como fatores que podem contribuir para a movimentação econômica.

Em setembro, o Bolsa Família destinou R$ 13,04 bilhões a cerca de 19,3 milhões de famílias. No mesmo período, o Conselho da Justiça Federal liberou R$ 3,22 bilhões para os Tribunais Regionais Federais pagarem Requisições de Pequeno Valor (RPVs), que beneficiaram mais de 278 mil pessoas.

Também foram realizados 521,9 mil pagamentos de restituições do Imposto de Renda, segundo os dados mencionados pela entidade.

Quais são as preocupações do setor supermercadista?

Marcio Milan destacou a ampliação da isenção de impostos sobre produtos da cesta básica, incluindo proteínas como carne, frango e peixe, como uma medida que pode favorecer o consumo.

Por outro lado, a entidade demonstra preocupação com o endividamento das famílias e com possíveis mudanças tributárias que possam elevar os preços de outros produtos. O setor também acompanha discussões sobre medidas relacionadas às apostas on-line, conhecidas como bets.

Segundo dados divulgados pela Abras, as vendas de alimentos cresceram 6,5% entre 5 e 11 de outubro e 6,3% entre 12 e 18 de outubro, na comparação com os mesmos períodos de 2025.

A entidade também manifestou preocupação com possíveis mudanças na jornada de trabalho e seus efeitos sobre os custos dos supermercados e o funcionamento da cadeia de abastecimento.

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