
A Semana Estadual de Prevenção ao Acidente Vascular Cerebral (AVC), realizada na última semana de outubro em Santa Catarina, reforça a importância de reconhecer os sintomas da doença e controlar os fatores de risco. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) citados pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) apontam que, nos primeiros sete meses de 2026, foram registradas 50.424 mortes e 182.253 internações por AVC na rede pública brasileira.
Os números representam uma média de aproximadamente 238 mortes e 860 internações por dia. Conhecido popularmente como derrame, o AVC ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma região do cérebro é interrompido ou quando um vaso cerebral se rompe. A doença pode provocar sequelas permanentes e exige atendimento médico imediato.
Quais leis incentivam a prevenção ao AVC em Santa Catarina?
A legislação catarinense prevê iniciativas de conscientização, orientação e apoio às pessoas afetadas pela doença. A Lei Estadual nº 16.950/2016 instituiu o Dia Estadual de Prevenção, Orientação e Combate ao AVC, celebrado em 29 de outubro.
Já a Lei nº 17.642/2018 criou a Semana Estadual de Prevenção ao AVC, realizada anualmente na última semana de outubro. Mais recentemente, a Lei nº 19.393/2025 instituiu uma política estadual de apoio às vítimas, com diretrizes para ampliar o acesso aos serviços de urgência e emergência, incentivar campanhas educativas e promover ações de reabilitação.
Quais são os principais fatores de risco para o AVC?
A hipertensão arterial, o diabetes, o colesterol elevado, o tabagismo, o sedentarismo, a alimentação inadequada, o excesso de peso e o consumo excessivo de álcool estão entre os fatores que aumentam o risco de AVC.
Segundo o cardiologista Arthur Herdy, que atua no Hospital Regional de São José, parte desses fatores pode ser controlada com mudanças de hábitos e acompanhamento médico. A prevenção inclui manter uma alimentação equilibrada, reduzir o consumo de sal, praticar atividades físicas e controlar doenças preexistentes.
“Costumamos recomendar a adoção de uma alimentação mais saudável possível, principalmente evitando sal para controlar a pressão. A atividade física também é fundamental, porque previne e trata muitas doenças”, explicou o médico, que também recomenda atenção ao estresse e aos cuidados com a saúde emocional.
O acompanhamento periódico é importante para monitorar a pressão arterial, a glicose e o colesterol, especialmente entre pessoas que já apresentam fatores de risco.
Como reconhecer os sintomas de um AVC?
Alterações repentinas na fala ou na visão, dificuldade de raciocínio, fraqueza ou dormência em um lado do corpo e perda de equilíbrio estão entre os sinais que podem indicar um AVC. Uma dor de cabeça súbita e intensa também exige atenção, especialmente quando acompanhada de outros sintomas.
Herdy destaca que a rapidez na identificação dos sinais pode fazer diferença no atendimento e na recuperação do paciente. Diante de qualquer suspeita, a orientação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, ou buscar atendimento hospitalar de emergência imediatamente.
Não se deve esperar que os sintomas desapareçam nem oferecer medicamentos por conta própria. Informar à equipe médica o horário em que os primeiros sinais começaram também ajuda na avaliação e na escolha do tratamento.
Como o AVC mudou a vida de um aposentado de Florianópolis?
O bancário aposentado Mauro Aquiles Verzola, de 81 anos, sofreu um AVC aos 58 anos. Ele conta que percebeu os primeiros sinais ao acordar e tentar sair da cama, quando perdeu a capacidade de movimentar uma das pernas normalmente.
“Acordei e, ao tentar levantar, não tive mais como tirar o pé da cama. Senti um peso no corpo e, a partir daí, já desconfiei que pudesse ser um derrame e fui levado ao hospital”, relatou.
Mauro foi diagnosticado inicialmente com AVC isquêmico, que posteriormente evoluiu para hemorrágico, conforme o relato apresentado pela Alesc. O episódio provocou paralisia no lado direito do corpo, e atualmente ele utiliza cadeira de rodas.
A experiência fez com que o aposentado passasse a alertar outras pessoas sobre a importância de controlar a pressão arterial e procurar acompanhamento médico.
“Quem tem pressão alta, tome cuidado. Vá ao médico, se trate, porque a vida se torna muito difícil depois que tem um derrame”, afirmou.
A prevenção, o reconhecimento dos sintomas e a busca imediata por atendimento são medidas importantes para reduzir os riscos e as consequências do AVC.
Com informações da Alesc.






