
De forma inacreditável para a maioria dos eleitores de Chapecó e região, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está eleito para um quarto mandato como presidente da República. Os institutos de pesquisa e o desempenho do petista nos debates do 2º turno diziam outra coisa, mas a rejeição a Flávio Bolsonaro (PL) persistiu em ser maior do que as propostas do senador para o país pelo simples fato de ele ser filho de um ex-presidente que está preso por ter, conforme a Justiça, participado de uma tentativa de golpe de Estado.
Até eu custei a acreditar nas projeções que, por volta das 20h40, já indicavam a vitória de Lula antes da apuração chegar aos 80% das seções. Quando me dei por conta, já havia consenso total entre os cientistas políticos e os estatísticos. Pela primeira vez, um cidadão consegue ganhar quatro eleições pelo voto direto na história do Brasil, algo muito raro em nível mundial.
Não acredito em qualquer chance do pedido de nulidade das eleições prosperar: como bem lembra Claudio Humberto, comentarista da Rádio Bandeirantes, seis dos sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral foram indicados pelo PT, sendo apenas o presidente, Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro.
Se for analisado o mérito da questão que envolveu a prorrogação do horário de votação em alguns locais do país, é impossível que as urnas que ficaram abertas até as 19h tiveram uma participação decisiva na votação: a tendência já era da vitória de Lula. Por outro lado, tem o viés político dos ministros, que assim como Cristiano Zanin, não querem decepcionar seu “amigo” reeleito.
O que vimos no centro de Chapecó foi um papelão: não eram 17h, e já haviam apoiadores de Flávio fazendo buzinaço no Boulevard Benjamin Constant. Antes das 17h30, já havia trio elétrico. Às 21h, todos tiveram que ir para casa, incrédulos com o que aconteceu. Enquanto isso, novamente, os partidários de Lula escolheram a Praça Coronel Bertaso para a comemoração.
De forma contundente, foi demonstrado nas urnas, principalmente com o resultado do 1º turno, de que os brasileiros querem um governo federal de direita, mas que não seja exercido por ninguém com o sobrenome Bolsonaro. A rejeição que o filho herdou do pai não foi vencida, e rendeu à direita, ao meu ver, a derrota mais vergonhosa desde a redemocratização. Todos sabiam que Tarcísio de Freitas (Republicanos) era melhor visto, tinha o que mostrar, e iria vencer o atual mandatário, mas a sede de poder falou mais alto.
Agora, cabe ao país entender no buraco onde se meteu: com um Congresso Nacional ainda mais à direita, com a avançada idade de Lula, que amanhã (27) completa 81 anos; e com um endividamento nacional causado por este governo prestes a ser ampliado em função da continuidade do PT no poder, temos a perspectiva de anos difíceis para o futuro do Brasil. Que Deus abençoe Lula, os demais governantes eleitos e reeleitos, e o povo brasileiro.
Recadinhos
- Qualquer pessoa que fale em fraude eleitoral está agindo de má-fé para com o país. Pode-se questionar a lambança jurídica de ontem, não o que o povo colocou nas urnas.
- Se o Brasil fosse um país mais sério, Cristiano Zanin dormia ontem na cadeia, ou no mínimo com o cargo de ministro do STF suspenso.
- Na França, novas manifestações em meio à insatisfação popular movimentaram as cidades do país. Segundo autoridades, 410 mil pessoas participaram dos atos deste sábado (24) por toda França, conforme a newsletter The News.
- Novos atos para o próximo sábado foram convocados. Ainda na França, Marine Le Pen, principal liderança da direita francesa, lançou sua campanha para as eleições de 2027.






