
Um buchicho de corredor pode render uma boa pauta. Isso foi o que aconteceu ontem (5), quando Décio Bohner, gerente comercial da Condá FM, me mandou pelo WhatsApp um vídeo mostrando candidatos revelando como foi a votação para presidente da República em alguns presídios do Estado de São Paulo. O assunto rolou na emissora, e coube a mim fazer um levantamento, com o auxílio do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), de como foram as votações nos presídios do Estado barriga-verde.
Em toda Santa Catarina, houveram 12 urnas funcionando dentro do sistema penitenciário estadual. Haviam 671 eleitores aptos a votar, sendo 26 eleitores convocados, três servidores da Justiça Eleitoral, 98 militares em serviço e 544 presos provisórios. Conforme a Lei Antifacção, estas são as últimas eleições em que presos provisórios poderão votar. A partir do pleito municipal de 2028, esse direito estará extinto.
O resultado do Presídio Regional de Chapecó para a presidência da República chamou a atenção: enquanto o município como um todo deu 62% dos votos para Flávio Bolsonaro (PL), o presídio registrou 95% dos votos para Lula (PT). Numericamente, foi 38 a 2, com apenas 40 votos válidos. Para governador, Gelson Merísio (PSB) e João Rodrigues (PSD) empataram com nove votos cada, e Jorginho Mello (PL) fez apenas quatro votos.
Entretanto, houveram outros locais que se destacaram por votos mais à direita: no Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí, em Itajaí, enquanto o município como um todo entregou 68,6% dos votos para Flávio, o presídio registrou 56,2% para o candidato do PL (73 votos). Lula fez 36,9% (48 votos), Augusto Cury (Avante) fez 3,8% (5 votos), e Renan Santos (Missão) fez 3,1% (4 votos). Para governador, Jorginho fez 63,9% dos votos no complexo penitenciário, contra 21,7% de Merísio e 12% de João Rodrigues.
Na soma das 12 urnas em presídios do Estado, distribuídas pelos municípios de Blumenau, Caçador, Chapecó, Criciúma, Jaraguá do Sul, Joaçaba, Mafra, Itajaí, Itapema, Lages, Tubarão e Xanxerê, para a Presidência da República, Lula ficou em primeiro lugar com 265 votos (55%), seguido por Flávio, com 192 votos (39,8%). Os demais candidatos somam juntos 25 votos (5,2%). Apesar de ter ficado em 2º lugar no sistema penal, Flávio ganhou nos presídios de Criciúma e Itajaí.
Para a disputa ao Governo de Santa Catarina, Jorginho Mello venceu dentro do sistema penitenciário catarinense, com 169 votos (53,7%), seguido por Merísio, com 80 votos (25,4%); e João Rodrigues chegou a 53 votos (16,8%). João e Merísio empataram em 1º lugar em Chapecó, e o candidato do PSB venceu em Mafra, Itapema e Xanxerê. Rodrigues ficou em 1º lugar em Joaçaba, e Jorginho ganhou nos demais presídios.
- Recadinhos
- Você provavelmente viu que o preço da comida virou um dos temas centrais da eleição e das campanhas presidenciais. Isso porque os brasileiros viram uma mudança no poder de compra do salário mínimo nos últimos anos.
- O poder de compra do salário mínimo é o quanto ele consegue adquirir ao longo do tempo. Se ele sobe, mas os preços sobem mais rápido, o poder de compra dele cai.
- Em agosto, um salário mínimo comprava 1,8 cesta básica na cidade de São Paulo. No mesmo período em 2022, ele comprava 1,6 cesta básica. O ponto mais alto da série foi em março de 2012, quando era possível comprar 2,3 cestas.
- Da última eleição para cá, o salário mínimo subiu 33,7%. Acontece que o preço da cesta subiu menos (20,1%), o que permitiu à população comprar “0,2” cestas a mais, conforme a newsletter The News.






