
Permita-me, nesta edição da coluna, escrever em primeira pessoa. Ontem (1º), estava aguardando a realização do debate do Grupo Globo para a presidência da República no primeiro turno destas eleições. Mas, para a surpresa de dezenas de milhões de pessoas que aguardavam o debate, às 20h40, o conglomerado decidiu, alegando insegurança jurídica, cancelar o último confronto entre os presidenciáveis antes do voto no domingo (4).
Esse cancelamento, no meu entendimento, possui três culpados: Estela Aranha, Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques. Esses ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fizeram a maior lambança contra a liberdade de imprensa já vista em relação a um debate eleitoral desde que Fernando Collor de Mello participou sob judice do debate da Band para a disputa à Prefeitura de São Paulo, em 2000.
Para você entender a trama, precisamos voltar à terça-feira (29). Em decisão liminar, o ministro Nunes Marques alterou um entendimento do próprio TSE sobre a contagem de parlamentares no Congresso para fins de debate (mínimo de cinco), e decidiu que Romeu Zema (NOVO), teria direito de participar.
Ontem, por volta das 19h30, faltando duas horas para o início do debate, que começaria às 21h30, a ministra Aranha determinou que a Globo não mostrasse o púlpito que seria destinado ao presidente Lula (PT), e também proibiu que os demais concorrentes fizessem perguntas dirigidas ao petista. Minutos depois, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) desistiu de ir ao debate.
Imagine a loucura que ocorria nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, às 19h40: de sopetão, dezenas de profissionais diretamente envolvidos na organização do debate tinham que se reprogramar urgentemente para fazer um debate com Augusto Cury (Avante), Zema e Ronaldo Caiado (PSD) presentes. Mas o pior ainda estava por vir: às 19h45, Gilmar Mendes obriga a Globo a receber Renan Santos (Missão) no debate.
As decisões dos integrantes do TSE citados aqui desrespeitaram as regras que a Globo definiu com antecedência, e com a anuência e aprovação das quatro campanhas que tiveram direito ao tempo de rádio e TV. Ao contrário da inconsequência dos ministros, a maior empresa de comunicação do Brasil definiu as regras do confronto de forma democrática, assim como nós, do Grupo Condá, sempre fizemos quando ocorrem debates. Quando ocorrem.
Ontem, a equipe da Globo ficou com o mesmo sentimento que nós tivemos quando cancelamos o debate entre os candidatos a governador de Santa Catarina. No nosso caso, por ausência de três dos quatro candidatos que cumpriam com os requisitos legais. A raiva que esses profissionais sentem, penso eu, é desgraçada, e não acresce nada ao pão de cada dia que comem, mas certamente acresceram engajamento e bitolação no núcleo duro de algumas candidaturas presidenciais.
Recadinhos
- O novo quadro da PollingData, empresa que calcula uma média proveniente dos levantamentos dos 23 institutos de pesquisa que estão divulgando números para a corrida presidencial, mostra um cenário de consolidação para ocorrência de 2º turno.
- Lula (PT) possui 44,6% dos votos válidos, e Flávio chega a 41,4%; confirmando a tendência do voto útil e da polarização. Cury segue em terceiro, com 4,1%; Renan chega a 3,3%; Caiado marca 2,9% e Zema 1,1%.
- Wilson Grassi (DEM) chega a 1% com sua proposta de “Meu Botox, Minha Vida”. Samara Martins (UP) marca 0,5%. Clariana Barão (DC) marca 0,4%. Leonardo Avalanche (PRTB), substituto do inelegível Pablo Marçal, chega a 0,3%.
- Fecham a lista candidaturas de extrema-esquerda: Edmilson Costa (PCB) e Hertz Dias (PSTU) têm 0,2% cada; e na lanterna vem Rui Costa Pimenta (PCO), com 0,1%.






