
Ontem (19), mais de mil pessoas estiveram no Salão Nobre Nelson Gallina do Centro de Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó, para participar do comício da coligação que apoia a reeleição de Jorginho Mello (PL) como governador de Santa Catarina, com a presença do candidato a presidente da República pelo Partido Liberal, Flávio Bolsonaro.
O comício iniciou com meia hora de atraso por uma anedota que dificilmente se repete: quando eram 16h22, todos os candidatos estavam no camarim, prontos para entrar no palco, só que o cerimonialista ainda não tinha chegado! O avião Cessna que trazia o locutor de rodeios César Paraná de Joinville, onde houve um comício similar pela manhã, teve dificuldades para pousar no aeroporto de Chapecó em função do mau tempo. César chegou às 16h45 no palco.
Entre as “mancadas” do comício, duas que merecem destaque. A primeira é de que, no protocolo, estava escrito que o candidato a vice-governador na chapa de Jorginho, Adriano Silva (NOVO), era ex-prefeito de Chapecó. Imaginem a gafe! O erro foi corrigido a tempo de o comício iniciar, já que Adriano foi prefeito de Joinville.
A outra mancada é que não houve coletiva de imprensa, e pior, com a recusa dos candidatos confirmada duas vezes pela equipe de campanha, ao meio-dia e antes do início do comício. Um desprestígio comigo e com meus colegas da comunicação, que tiveram um espaço organizado pela equipe do PL para acompanhar o comício, e que apesar dos apuros desse tipo de cobertura, deu conta do recado. Fica o aviso: a imprensa de Chapecó não morde, senhores candidatos!
Como Flávio se portou
Dois pontos me chamaram muita atenção no discurso do candidato bolsonarista: em primeiro lugar, sua clara expressão como cristão evangélico. A frase “em nome de Jesus” foi dita duas ou três vezes durante o discurso, acompanhado de um claro reforço à luta pela liberdade religiosa se ele for eleito presidente. Com certeza, se Jair Bolsonaro (PL) estivesse concorrendo, ele, como católico, não seria tão aberto nesse tema quanto o filho.
Outra questão é uma promessa difícil de cumprir: Flávio disse que, se eleito, terá seu pai Jair com ele em Brasília, e seria o ex-presidente que passaria a faixa ao filho em 5 de janeiro do ano que vem. Para isso, necessitaríamos de duas coisas: a anulação da condenação contra Jair Bolsonaro durante a transição de governo, o que eu não vejo que vá acontecer; e a recusa ou dispensa do presidente Lula (PT) de passar a faixa, afinal, é um direito dele participar da cerimônia e realizar o ato.
Recadinhos
- Falando em Lula, que papelão o ocorrido ontem em Florianópolis! Chamar o candidato a governador da frente de esquerda, Gelson Merísio (PSB), de Friederich Engels, é para acabar com o cheque do leite.
- Engels foi um dos mentores intelectuais e financeiros de Karl Marx, que escreveu o Manifesto Comunista em 1848, e é considerado o pai da teoria do materialismo histórico, base filosófica e teórica de muitos movimentos de esquerda.
- Comparar a Engels alguém que receberia ovos no seu corpo lá pelas bandas de Xanxerê, assim como Lula recebeu em 2018, na última vez que esteve em Chapecó, é absolutamente vexatório.
- Igualmente vergonhosa é a ausência confirmada de Gelson no Grande Debate do Oeste, que o Grupo Condá realiza nesta quinta-feira (24), a partir das 8h30 da manhã.






