
Encerramos hoje (3) a série de edições da coluna com a colaboração do advogado, professor de Pós-Graduação em Segurança Pública, e presidente do Conselho de Segurança do Município de Chapecó, Márcio Bueno, sobre os avanços no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV) depois que o Departamento de Estado dos Estados Unidos designou ambas organizações como terroristas, em 5 de junho deste ano.
A relação entre PCC, CV e o Hezbollah
Conforme Márcio, as atividades conjuntas entre as facções criminosas brasileiras e a organização terrorista do Oriente Médio são sofisticadas: “O Hezbollah gera receita na Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai) através de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, falsificação de dólares americanos, comércio ilegal de diamantes e contrabando de grandes quantidades de dinheiro vivo”.
Financiadores identificados como Assad Ahmad Barakat, qualificado como “terrorista global” pelo Tesouro Americano, lavaram cerca de US$ 10 milhões para o Hezbollah em cassinos da região de fronteira. O governo dos Estados Unidos oferece recompensa de até US$ 10 milhões por informações sobre os mecanismos financeiros do Hezbollah na Tríplice Fronteira.
A Polícia Federal já prendeu membros do Hezbollah no Brasil em operações como a Trapiche, em novembro de 2023, e em agosto de 2024: “Esses ataques não são ficção. O Hezbollah organizou a partir da Tríplice Fronteira o ataque à Embaixada de Israel em Buenos Aires em 1992, e o ataque à AMIA em 1994, também na capital argentina, que resultaram em mais de cem mortos”, afirma Bueno.
O FBI continua investigando. As operações se intensificaram após junho. As punições são mais severas. O rastreamento financeiro é mais eficaz. As sanções atingem não apenas criminosos, mas toda a infraestrutura de lavagem de dinheiro. E as autoridades brasileiras continuam recebendo inteligência de qualidade. Isso faz Márcio concluir que a equiparação não prejudicou a cooperação, potencializou-a.
Para Bueno, não foram centralizadas as investigações em agências de inteligência, mas o FBI e as polícias locais seguiram no comando: “A equiparação não criou barreiras, criou ferramentas mais eficazes. Essa é a validação prática de uma análise que eu vinha defendendo: a equiparação é benéfica, não prejudicial. É exatamente a ferramenta que faltava para combater essas corporações do terror de forma eficaz. Os Estados Unidos, finalmente, reconheceram isso. E os resultados já estão aparecendo”, conclui o advogado.
Recadinhos
- Apesar do Brasil ter batido recorde de matrículas em cursos de graduação com 10,2 milhões de estudantes em 2024, o desafio tem sido segurar esse pessoal até o final.
- No período, 24,8% dos alunos do presencial abandonaram o curso, enquanto na modalidade EAD foram 41,6%; conforme a newsletter The News.
- No ensino à distância, o resultado é puxado pela incapacidade do aluno de pagar mensalidades, dificuldade de conciliar estudo com outras tarefas e arrependimento da escolha do curso.
- Na modalidade presencial, a evasão tem sido influenciada justamente pela busca da modalidade de Ensino à Distância.





