segunda-feira, agosto 10, 2026
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Eleições 2026: Análise do primeiro debate ao Governo de Santa Catarina

Confira a coluna do jornalista André de Lazzari

Foto: Isadora Reicher

Neste sábado (8), ocorreu o primeiro debate entre os candidatos a governador de Santa Catarina. O Grupo ND reuniu João Rodrigues (PSD), Gelson Merísio (PSB) e Ralf Zimmer (PRD). Jorginho Mello (PL) não quis participar do debate porque o Grupo ND optou por produzir dois debates, e o atual governador apenas participará do segundo confronto.

O debate iniciou com uma discussão entre João e Merísio sobre o duodécimo, que é o valor do Governo do Estado repassado à Assembleia Legislativa e ao Poder Judiciário. Ambos defenderam a revisão da forma como atualmente são feitos os repasses pelo Executivo, sendo que Rodrigues defendeu destinar as sobras da Assembleia para a regionalização da saúde.

No debate sobre Educação, Ralf Zimmer propõe acabar com o programa Universidade Gratuita, enquanto Gelson Merísio quer entregar um grande aumento do salário dos professores da Rede Estadual. Sobre a integração das demandas comuns entre os três estados do Sul, João ressaltou que quer a união da região em cima da situação da BR-101. Ralf acusou Rodrigues e Merísio de fazerem parte do mesmo grupo político que governou Santa Catarina desde 1994.

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Merísio questionou Ralf sobre os gastos do governo com publicidade. Zimmer afirmou que já pediu ao deputado Júlio Garcia (PSD), presidente da Assembleia Legislativa, a regulamentação da entrega dos valores de publicidade, para que blogs políticos de baixa credibilidade não recebam mais valores, nem possam receber contratos especiais, como os candidatos de oposição acusam que o Governo do Estado esteja pagando neste momento.

Ralf Zimmer perguntou a Gelson Merísio sobre o combate à corrupção. O candidato da esquerda propõe uma parceria com o Legislativo e o Judiciário para aumentar a transparência dos atos públicos. Zimmer fez a pergunta motivado por um processo que apura há 12 anos possíveis desvios de dinheiro na Celesc.

Gelson Merísio perguntou a João Rodrigues sobre a falta de relação institucional que o governo Jorginho tem com o Governo Federal. O candidato do PSD defendeu o desconto na dívida pública para a execução de obras federais com recursos estaduais. Ambos os candidatos defenderam o uso total dos programas federais de fomento a todas as áreas possíveis, e de revisar as políticas estaduais de cultura praticadas atualmente.

João Rodrigues criticou os baixos gastos do Governo do Estado para a Defesa Civil, e perguntou a Zimmer sua opinião. O candidato do PRD defendeu convênios com os municípios para obras de prevenção. Sobre turismo, Merísio afirmou que o baixo número de turistas na última temporada de verão se deve à campanha de discriminação que está sendo feito nas redes sociais contra o Estado. João defendeu que é necessário estadualizar ainda mais o turismo, com investimentos na Serra e no Oeste.

O ex-prefeito de Chapecó pediu uma avaliação de Zimmer sobre os serviços da Casan em Florianópolis. Ralf defendeu a Casan, e falou que não irá privatizar a estatal, mesmo com os problemas existentes na rede estadual de água e esgoto. Zimmer acusa que a culpa da má gestão da estatal é do grupo político que apoia João Rodrigues, que da forma como falou, dá margem para uma terceirização da gestão ou até a privatização da Casan.

Ralf perguntou a Merísio sobre a violência contra a mulher. O candidato do PSB propõe a criação de Salas Rosas com assistentes sociais em postos de saúde de todos os municípios do Estado para dar auxílio às vítimas, além da adesão aos programas federais sobre o tema. Zimmer defende programas de educação para que as crianças aprendam na escola a respeitar a mulher.

Foi interessante a discussão entre João e Merísio sobre o antigo plano de concessões de rodovias estaduais e federais construído durante o governo de Jair Bolsonaro, e que Jorginho Mello pediu saída assim que assumiu o governo do Estado. A questão do planejamento, pelo jeito, foi superada por atitude ideológica.

Recadinhos

  • Uma regra do debate do Grupo ND foi absolutamente absurda: não se podia mostrar a capa do plano de governo na câmera. Coitado do Ralf Zimmer!
  • Outra dele: Ralf questionou João se a esposa do candidato, Fabiana Rodrigues (PSD), era candidata ou não nas eleições. O ex-prefeito de Chapecó afirmou que não. De brinde, Zimmer teve que ouvir a expressão “leão de chácara”.
  • Ralf também criticou João Rodrigues por, enquanto prefeito, ter defendido a manutenção do IPTU Progressivo em Chapecó, questão judicializada há tempo.
  • Em termos gerais, o debate foi pobre, mesmo com algumas propostas contundentes. Esse foi, em resumo, um confronto de todos contra Jorginho Mello, mesmo com João acusando Ralf de ser “advogado” do governador em alguns momentos.
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