
Confesso que acompanhei pouco das convenções partidárias que definiram os oito candidatos a governador de Santa Catarina, e os 12 candidatos à Presidência da República, mas algumas impressões ficaram latentes. A nível estadual, é inegável que a aliança construída pelo governador Jorginho Mello (PL) para sua tentativa de reeleição mostrou um espetáculo midiático maior do que todas as outras convenções partidárias juntas em Santa Catarina.
O atual mandatário vai com uma coligação composta por PL, Novo, Republicanos, Podemos, Agir, Cidadania, PSDB, Democracia Cristã e Avante. Com nove partidos, essa é a maior coligação da disputa para governador. João Rodrigues (PSD) confirma a vinda do MDB para sua aliança, mesmo com todas as disputas internas dos últimos meses. A União Progressista, formada por PP e União Brasil, reforçam essa alternativa.
Na frente de esquerda, Gelson Merísio (PSB) está amparado pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), a Federação PSOL/Rede e o PDT. É a segunda maior coligação destas eleições, com sete partidos. Ralf Zimmer (PRD) traz junto o Solidariedade em função da nova Federação Renovação Solidária. Os demais candidatos ao Governo de Santa Catarina vão em chapa pura: Marcelo Brigadeiro (Missão), Marcus Sodré (PSTU) e Laís Chaud (UP).
Na disputa presidencial, o espetáculo midiático foi bem mais parelho. Impressiona a estratégia do presidente Lula (PT) em, para conquistar um histórico quarto mandato, fazer com que seu principal jingle de campanha tenha um “sabor a hino”, com características muito próprias da música cristã contemporânea na letra e na música do jingle. Para mim, isso dói nos ouvidos. A coligação que apoia a reeleição do petista é integrada pela Federação Brasil da Esperança, PSB, Federação PSOL/Rede e PDT.
Flávio Bolsonaro (PL) está indo de chapa pura, assim como todos os demais candidatos à presidência: Renan Santos (Missão), Hertz Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB), Leonardo Avalanche (PRTB), Rui Costa Pimenta (PCO), Romeu Zema (Novo), Wilson Grassi (Democrata, antigo PMB), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP). Clariana Barão (DC) ainda é pré-candidata.
Até o momento, apenas uma candidatura ao Palácio do Planalto está com coligação formada, fruto das articulações do governo federal, e aos interesses internos dos diretórios nacionais do PP e do União Brasil, que levaram a União Progressista a não dar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Entretanto, existem partidos mais à direita, como o Republicanos e o Podemos, que ainda não realizaram suas convenções, e podem apoiar a candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Vamos aguardar.
Consulta jurídica
Chamem o “Alemão Chimia” do Momento Gaúcho da Condá FM! Não vai faltar IA nestas eleições! Brincadeira à parte, o Tribunal Superior Eleitoral lançou ontem (3), em conjunto com a Advocacia-Geral da União, uma cartilha dizendo o que pode e o que não pode ser feito com a Inteligência Artificial nas eleições.
Conforme o resumo publicado pelo G1, o portal de notícias da Globo, dentre os destaques da nova medida, está a obrigação de que todos conteúdos feitos por Inteligência Artificial que veiculados sejam rotulados desta forma, para que fique claro de que é um material produzido pela tecnologia.
Está permitida a criação de peças publicitárias, a produção de imagens ilustrativas, a edição de vídeos, a geração de legendas, a tradução automática, a narração sintética (eu proibiria), a organização de conteúdos e o auxílio na comunicação digital. Não é permitido divulgar conteúdos falsos ou descontextualizados, usar chatbots, avatares ou conteúdos sintéticos para simular uma conversa com um candidato ou com qualquer pessoa real; e usar deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas.
Também não será permitido publicar, republicar ou impulsionar novos conteúdos sintéticos criados por Inteligência Artificial nas 72 horas antes da votação e nas 24 horas após o encerramento das eleições. Ou seja, o conteúdo de IA nas redes sociais deve se encerrar juntamente com a propaganda eleitoral em rádio e televisão, no dia 1º de outubro.
Recadinhos
- Até o momento, apenas quatro candidatos à presidência da República teriam direito ao horário eleitoral gratuito em rádio e TV: Augusto Cury, Caiado, Flávio Bolsonaro e Lula.
- O Snapchat anunciou que deixará de recomendar vídeos gerados 100% por Inteligência Artificial no seu feed, conforme a newsletter The News.
- A medida faz parte de um movimento para barrar o “AI slop”, termo usado para, conteúdos gerados por inteligência artificial que acabam sendo repetitivos e de baixa qualidade.
- Para a maioria das pessoas, quanto mais posts gerados por Inteligência Artificial elas veem nas redes, menor a probabilidade de valorizarem os conteúdos exibidos, o que acaba afastando o público desses aplicativos.





