segunda-feira, junho 22, 2026
InícioPolítica e CotidianoColômbia e Peru dão guinada à direita. E o Brasil?

Colômbia e Peru dão guinada à direita. E o Brasil?

Confira a coluna do jornalista André de Lazzari

Foto: Isadora Reichert

A noite de ontem (21) foi de celebração para partidos de direita na América Latina. No Peru, após duas semanas de contagem, apesar de matematicamente ainda não haver definição, Keiko Fujimori, filha do ex-líder peruano Alberto Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000, tem uma projeção de vitória faltando apenas cerca de 65 mil votos a serem contados, e uma diferença de 40 mil para Roberto Sánchez, candidato de esquerda. A diferença entre os dois candidatos deve ficar em apenas 0,25%.

Já na Colômbia, Abelardo de la Espriella, candidato de extrema-direita, venceu o segundo turno das eleições presidenciais ontem, também por uma diferença estreita, de 0,95%, para o candidato Iván Cepeda, do governo de esquerda de Gustavo Petro. Chama a atenção de ambas as campanhas dois pontos essenciais para a maioria das vitórias recentes nas disputas eleitorais na América Latina: o populismo e a promessa de combate duro à criminalidade.

No Brasil, conforme uma pesquisa da AtlasIntel do final de abril, a criminalidade é o segundo tema mais sensível para o eleitor brasileiro, apenas atrás da corrupção. Esses são os dois únicos temas que conseguem maioria absoluta na pesquisa. Logo, com os números referentes à segurança pública que vem sendo registrados no país, agora a América Latina olha para o Brasil e aguarda “para onde ela vai”: nosso país se mantém à esquerda ou volta a ser governada pela direita?

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A nova pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (20) mostrou que o cenário para a corrida presidencial continua parecido, com Lula (PT) na liderança, mas traz um alerta para os dois lados da polarização. Foram entrevistados 2.004 pessoas entre os dias 17 e 18 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O código de registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-09956/2026.

No primeiro turno, em votos válidos, o presidente Lula mantém a vantagem com 46,1% das preferências, contra 34,8% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem com 3,4% cada, enquanto Romeu Zema (NOVO), Aécio Neves (PSDB), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP) marcam 2,2% cada. Cabo Daciolo (Mobiliza), Joaquim Barbosa (DC) e Rui Costa Pimenta (PCO) marcam 1,1% cada. Brancos, nulos e indecisos correspondem a 11% do total do eleitorado.

Já em um possível segundo turno, Lula e Flávio repetem o placar da pesquisa de um mês atrás: em votos válidos, 52,2% para o petista e 47,8% para o bolsonarista. Brancos, nulos e indecisos correspondem a 10% do total do eleitorado nacional. Com toda certeza, o tema da segurança pública será uma das mais exploradas pelas campanhas presidenciais, entretanto, o populismo das duas principais candidaturas deverá cegar a maior parte do eleitorado, e não dar espaço para um debate decente sobre o tema. Aqui, não há otimismo!

Recadinhos

  • O vice-presidente americano, JD Vance, desembarcou na Suíça para um encontro com o presidente do parlamento iraniano, Mohammed Ghalibaf, onde os dois discutiriam uma trégua definitiva no conflito entre os países.
  • O memorando assinado na semana passada previa um prazo de 60 dias para um acordo final focado no programa nuclear iraniano e no levantamento das sanções contra a economia do país, conforme a newsletter The News.
  • Tudo parecia bem, com o próprio presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmando que esperava que os envolvidos nas negociações “conseguissem fazer o processo avançar com sucesso”.
  • Entretanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, elevou o tom e foi às redes sociais ameaçar atacar o Irã “com muita força” se o Hezbollah não fosse contido. Em entrevistas, sugeriu também cobrar pedágio em Ormuz. O clima voltou a encrespar!
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