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Entre dissuasão e confronto: a história recente entre Estados Unidos, Irã e Israel

Confira a coluna do professor Dr. Givanildo Silva

Prof. Givanildo Silva – Doutor em Ciências Contábeis e Administração.

Nos últimos 3 anos, a relação entre Estados Unidos, Irã e Israel deixou de ser apenas um jogo de ameaças indiretas para se aproximar de confrontos abertos, com impactos globais evidentes sobre energia, inflação e estabilidade política internacional. O que antes era uma guerra por procuração, travada por aliados regionais e operações encobertas, passou a incluir ataques diretos, bombardeios a instalações estratégicas e retaliações explícitas.

Em 2023, o cenário ainda era de tensão crônica. O programa nuclear iraniano avançava em níveis de enriquecimento de urânio superiores aos parâmetros defendidos por potências ocidentais. Israel mantinha sua doutrina de impedir que o Irã alcançasse capacidade nuclear militar. Os Estados Unidos, por sua vez, combinavam sanções econômicas com presença militar dissuasória no Golfo. Era um equilíbrio instável, mas ainda contido.

O ano de 2024 marcou uma inflexão. Ataques atribuídos a Israel contra alvos iranianos na Síria e, posteriormente, o lançamento de centenas de mísseis iranianos contra território israelense romperam a lógica exclusivamente indireta do confronto. A dissuasão começou a falhar. Cada lado passou a testar limites mais amplos, ampliando o risco de erro de cálculo.

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Em junho de 2025, a escalada atingiu novo patamar. Israel realizou ataques aéreos contra instalações nucleares e militares no território iraniano. O Irã respondeu com mísseis balísticos e drones. Os Estados Unidos, ainda que evitando declarar guerra formal, envolveram-se militarmente ao atingir estruturas estratégicas iranianas. O cessar-fogo posterior não representou pacificação estrutural, apenas uma pausa tática.

No início de 2026, nova rodada de ataques coordenados entre forças israelenses e americanas contra alvos iranianos aprofundou a crise. Relatos sobre a morte de lideranças iranianas, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, ampliaram o grau de instabilidade interna no Irã e elevaram o conflito a um patamar simbólico e político ainda mais sensível. A resposta iraniana incluiu ataques contra Israel e ameaças à navegação no estreito de Ormuz, um dos principais corredores globais de petróleo.

O problema central é que nenhum dos três atores parece disposto a ceder em seus objetivos estratégicos. Israel considera existencial a ameaça nuclear iraniana. O Irã enxerga sua capacidade militar como instrumento de sobrevivência do regime. Os Estados Unidos equilibram compromisso histórico com a segurança israelense, interesses energéticos e a tentativa de evitar uma guerra regional de grandes proporções.

O resultado é uma espiral de ação e reação que pressiona mercados, encarece energia, afeta cadeias globais de suprimento e amplia o risco de envolvimento de outros atores regionais. A cada ataque, aumenta a probabilidade de erro de cálculo estratégico. Em ambientes de alta tensão, decisões são tomadas sob pressão, com informação imperfeita e incentivos políticos domésticos pesando sobre líderes.

A pergunta relevante não é apenas quem ataca primeiro, mas quem tem mais a perder se o conflito ultrapassar certos limites. Uma guerra regional ampliada poderia afetar diretamente o comércio global, a estabilidade de moedas e a inflação em países distantes do teatro de operações. A interdependência econômica transforma conflitos locais em choques sistêmicos.

Há ainda o componente político interno. Conflitos externos frequentemente reforçam narrativas nacionalistas e consolidam poder doméstico. Ao mesmo tempo, aumentam custos sociais e econômicos para populações já pressionadas por crises anteriores. O risco não é apenas militar; é também institucional e econômico.

Nos últimos 3 anos, ficou claro que a estratégia de dissuasão tradicional está sendo constantemente testada. O desafio agora é saber se prevalecerá a lógica da contenção estratégica ou a dinâmica de escalada contínua. A história mostra que guerras prolongadas raramente começam com decisões únicas e dramáticas. Elas emergem de sucessivas pequenas escaladas que, somadas, tornam-se irreversíveis.

A região vive um momento em que prudência estratégica e cálculo racional são mais necessários do que demonstrações de força. O custo de um erro pode ultrapassar fronteiras muito além do Oriente Médio.

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