
O governo federal voltou a recorrer a um expediente conhecido — e perigoso — para fechar suas contas: aumentar impostos. Desta vez, o alvo foi a importação. Mais de 1.200 produtos tiveram o imposto de importação elevado, em alguns casos com aumento de até 7 pontos percentuais, atingindo máquinas, equipamentos industriais, insumos produtivos e bens tecnológicos. A conta, como sempre, não fica em Brasília. Ela desce para a indústria, para o comércio e, por fim, para o consumidor.
Na prática, o governo escolheu encarecer a produção nacional para sustentar o ajuste fiscal. Ao contrário do discurso oficial, o imposto de importação não penaliza apenas o produto estrangeiro “supérfluo”. Ele atinge diretamente bens de capital, peças, componentes e tecnologias que não são fabricados no Brasil ou que aqui custam mais caro e entregam menos produtividade. Resultado: empresas produzem com custo maior, investem menos e perdem competitividade.
Os números ajudam a dimensionar o impacto. Em muitos setores industriais, o custo tributário total sobre um item importado já ultrapassa 60% do valor original, somando imposto de importação, tributos internos, taxas logísticas e custos financeiros. Com o novo aumento, esse percentual cresce ainda mais. Para uma máquina de R$ 1 milhão, um acréscimo de 5% no imposto significa R$ 50 mil a mais, antes mesmo de considerar os demais encargos. É um freio direto ao investimento produtivo.
O governo justifica a medida com dois argumentos: proteção da indústria nacional e reforço de arrecadação. Ambos são frágeis. Proteger indústria sem resolver gargalos estruturais — custo do crédito, insegurança jurídica, burocracia e carga tributária interna — não gera competitividade; gera acomodação. E arrecadar via imposto indireto é transferir renda de forma regressiva, penalizando quem produz e quem consome.
Além disso, o aumento ocorre em meio à transição da reforma tributária, quando empresas já enfrentam incerteza regulatória, sistemas paralelos e dificuldade de planejamento. Em vez de previsibilidade, o governo adiciona ruído. Em vez de estímulo ao investimento, adiciona custo. Em vez de sinalizar modernização econômica, sinaliza desconfiança no setor produtivo.
O efeito final é conhecido: inflação de custos, repasse gradual aos preços, redução do investimento e menor crescimento econômico. O governo arrecada no curto prazo, mas compromete a base de arrecadação futura. É uma estratégia míope, típica de quem prefere aumentar impostos a enfrentar reformas reais no gasto público.
Se o objetivo fosse fortalecer a economia, o caminho seria outro: cortar despesas improdutivas, simplificar tributos, ampliar regimes de exceção para bens sem similar nacional e criar um ambiente favorável ao investimento. Ao escolher o aumento do imposto de importação, o governo opta pela solução mais fácil politicamente — e a mais cara economicamente.
No fim, o novo imposto não protege a indústria, não estimula inovação e não resolve o problema fiscal. Apenas confirma uma velha prática: quando falta gestão, sobra imposto.






