
A absolvição da ex-vereadora de Paial, Adriana Terezinha Bagestan, no júri popular realizado nesta quarta-feira (11), em Chapecó, provocou manifestações da defesa e dos familiares da vítima, Sedinei Wawczinak, de 42 anos, morto com um disparo na cabeça em junho de 2025. O julgamento ocorreu no Fórum da Comarca e mobilizou as duas partes ao longo do dia.
Após a decisão do Conselho de Sentença, a defesa afirmou que a absolvição foi resultado de uma “análise criteriosa das provas” e classificou o desfecho como um “ato de justiça”. Segundo os advogados, o caso envolvia um contexto sensível relacionado à violência doméstica e ao debate sobre feminicídio. “A tese defensiva foi acolhida, reafirmando a soberania do Tribunal do Júri e a confiança na justiça”, declararam.
A defesa também ressaltou que “não existe vitória diante de uma tragédia familiar tão grave” e argumentou que condenar a acusada seria “punir a única sobrevivente para criar mais estatísticas de feminicídio”. Em nota, os advogados afirmaram ainda que sempre sustentaram que “proteger a própria vida e a vida dos filhos nunca será um crime”.
Já os familiares de Sedinei manifestaram “dor profunda e frustração” com o resultado do julgamento. Em declaração pública, afirmaram que o que presenciaram no tribunal foi “a desconstrução cruel de uma memória para tentar justificar o injustificável”. Para a família, a imagem apresentada durante o júri não corresponde à convivência que tiveram com ele ao longo da vida.
“Side foi nossa família por toda uma vida — um tempo muito maior do que seu casamento. Onde estava essa face apresentada ao júri durante todos esses anos conosco?”, questionaram. Os familiares também repudiaram comentários que, segundo eles, sugeriam que a morte teria sido merecida. “Nenhuma morte deve ser celebrada. Nenhuma vida pode ser reduzida a julgamentos rasos.”
Sobre os relatos de violência doméstica mencionados durante o processo, a família declarou que, se houve sofrimento, ele é grave e merece empatia, mas afirmou nunca ter presenciado sinais que indicassem uma dinâmica de agressões. “Respeitamos o sofrimento alheio, mas também é legítimo que nós, que partilhamos a vida com ele, não aceitemos como verdade uma imagem que nunca existiu em nossa convivência.”
Ao final, os familiares disseram que, embora respeitem a decisão judicial, deixam o julgamento “nas mãos da justiça de Deus” e reafirmaram que continuarão defendendo a memória de Sedinei.





