
No município de Chapecó são dois cemitérios municipais, um está localizado no centro de Chapecó, e outro na linha Tomazelli. O coveiro que atua nos cemitérios do município, Edemar Chiesa, relatou que neste momento em que vivemos mais de 90% dos enterros realizados nos cemitérios são por mortes de coronavírus.
“Em Chapecó nesses últimos dias cerca de 90% ou mais dos enterros que são realizados são por mortes de coronavírus, somente ontem (quarta-feira (24))”, diz Edemar.
Edemar ainda ressaltou que tem muitos anos de experiência nesse ramo e nunca havia presenciado algo semelhante. “Nesse tempo em que trabalho com isso, nunca vi algo parecido com tantas mortes, uma pandemia que está matando tantas pessoas”, disse o Edemar.
Ele ainda relatou a reportagem do Clic RDC que todo o procedimento é muito rápido, em casos de mortes de coronavírus é muito rápido e é triste ver como tudo acontece no município de Chapecó, ver o que o povo passa quando vem sepultar um ente querido.

“É triste para as famílias, para nós que estamos aqui dia-a-dia, pois é muito rápido temos que preparar o local para quando chegar a funerária com o corpo e já fazer o sepultamento. O familiar já passa pela dor de perder o ente querido e ainda não pode se despedir, não pode ver ele pela última vez, isso choca muito, pois também temos nossos familiares e logo pensamos neles, é muito triste”, finalizou.
Jardim do Éden
A reportagem do ClicRDC, também conversou com o administrador do Cemitério Jardim do Éden de Chapecó, Orlei Ademar Ikreda que informou que no caso de sepultamentos do local quem avisa se é ou não um sepultamento de coronavírus é a família ou a própria funerária. E que o processo é muito rápido e como os sepultamentos ocorrem de hora em hora caso não tenha horário o corpo aguarda na câmara fria e quando liberar segue para sepultamento.
“O procedimento é tão rápido que quando acontece o fato no hospital e caso não tenha espaço ele entra para a câmara fria para podermos programar o sepultamento, pois realizamos de hora em hora e não havendo mais durante o dia por que a noite fica difícil nesse caso entra na câmara fria de congelamento para o dia seguinte”, disse Orlei.
De acordo com o administrador, a demanda no cemitério aumentou e tiveram dias que foram sepultadas mais de seis pessoas vítimas do coronavírus. “Teve um aumento, em alguns dias foram feitos mais de seis sepultamentos diários e são de diversos tipos de pessoas, a maioria pega uma autorização na prefeitura para pessoas carentes e nós que sustentamos os custos”, relatou.

“Nós usamos todas as precauções, cada sepultamento é um traje novo é uma máscara nova, seguimos todos os procedimentos para evitar a proliferação do vírus”, relatou o administrador.
O administrador relatou que nesses casos os familiares até pedem para que o caixão seja aberto, mas em decorrência dos protocolos isso não é permitido e isso não se faz de jeito nenhum, mas mesmo assim o familiar gostaria de se despedir, pois tem casos que a vítima fica até 40 dias internada sem contato com ninguém, disse Orlei ao ClicRDC.
“O corpo quando sai do local da morte vai para o necrotério e lá ele é todo enfaixado com sacos plástico, então se abrir não será possível ver nada do corpo, e quando chega na funerária e ainda feito um revestimento no caixão, não é possível abrir de jeito nenhum. É uma situação muito delicada pois aflora com o sentimento de qualquer pessoa”, finalizou Orlei.







