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Tornado provoca 2,4 mil ocorrências e deixa milhares de imóveis sem energia em Chapecó

Relatório da Defesa Civil aponta ventos de até 126,4 km/h, danos em 41 unidades de ensino e 13 unidades de saúde; Prefeitura recebeu pedido para decretar Situação de Emergência por 180 dias.

Imagem demonstra rota do tornado no município de Chapecó. Foto: Reprodução/ Defesa Civil

O tornado que atingiu Chapecó na manhã de quarta-feira (4) provocou estragos em diferentes regiões do município e mobilizou equipes da Prefeitura e da Defesa Civil. Até a quinta-feira (5), foram registradas 2.478 ocorrências atendidas ou em atendimento, principalmente relacionadas a destelhamentos, quedas de árvores, danos em edificações e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Conforme o relatório técnico da Diretoria de Proteção e Defesa Civil, a maior rajada de vento registrada no município chegou a 126,4 km/h. Na estação de monitoramento de Água Amarela, foram registrados 106,7 km/h por volta das 10h. O fenômeno também provocou danos em estruturas públicas, atingindo unidades de saúde e escolas da rede municipal.

O levantamento aponta que 42.508 unidades consumidoras ficaram sem energia elétrica ao final da quarta-feira. Na manhã de quinta-feira, esse número havia caído para 11.755. A redução representa o restabelecimento do fornecimento para aproximadamente 72% das unidades afetadas.

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Como o tornado se formou e atingiu Chapecó?

Segundo a Defesa Civil, a ocorrência foi favorecida pela combinação de um centro de baixa pressão sobre o Paraguai, um cavado em níveis médios da atmosfera e o fluxo da Corrente de Jato Subtropical em altitude. Esses fatores, associados à forte instabilidade, contribuíram para a formação de um Complexo Convectivo de Mesoescala sobre o centro-sul da América do Sul.

O sistema começou a se organizar na tarde de terça-feira (3) e provocou tempestades severas, com granizo de grande porte, ventos intensos e elevada atividade elétrica. Entre a manhã de terça e o início da tarde de quarta-feira, foram registradas mais de 100 mil descargas atmosféricas na Argentina, no Paraguai, no Uruguai e nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Em Chapecó, o monitoramento começou às 6h de quarta-feira. Às 10h18, a Defesa Civil registrou uma rajada de 127,8 km/h em Palmitos e recebeu novo aviso de severidade em deslocamento para o município. Às 10h31, todos os canhões do Sistema Antigranizo foram acionados.

Por onde o tornado passou em Chapecó?

As vistorias realizadas pela Defesa Civil identificaram danos característicos de ventos rotacionais nos bairros Quedas do Palmital, Palmital, Seminário e Universitário. Entre os sinais observados estavam telhas e coberturas metálicas arrancadas, enroladas e retorcidas, padrão compatível com a ocorrência de tornado.

O mapeamento aponta que o fenômeno tocou o solo inicialmente na porção nordeste do município. Depois, seguiu no sentido nordeste-sudoeste, passou pela região sul da área urbana, a sudeste do Centro, cruzou a BR-480 e se dissipou na área rural, na parte sudoeste de Chapecó.

A classificação técnica registrada foi de Tempestade Local/Convectiva – Tornados, conforme o código COBRADE 1.3.2.1.1.

Quantas ocorrências foram registradas e como está o fornecimento de energia?

Até a atualização de quinta-feira, a Defesa Civil contabilizava 2.478 ocorrências atendidas ou em atendimento. Os principais registros envolvem destelhamentos, danos em residências e edificações, árvores caídas sobre vias e redes elétricas, interrupção de energia e obstrução de ruas.

No fim da quarta-feira, 42.508 unidades consumidoras estavam sem energia elétrica em Chapecó. Na manhã seguinte, o número passou para 11.755, indicando que cerca de 72% das unidades afetadas já tinham o fornecimento restabelecido.

O levantamento completo dos danos humanos, materiais, ambientais e dos prejuízos econômicos ainda está em andamento. Os dados serão consolidados no Formulário de Informações do Desastre, no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD).

Como ficou a situação das unidades de saúde?

No dia do tornado, 14 unidades de saúde e o almoxarifado da Secretaria Municipal de Saúde foram afetados por danos estruturais, alagamentos, destelhamentos e falta de energia elétrica. Três unidades tiveram o atendimento suspenso: CSF Quedas, CSF Seminário e CSF Sul.

Na atualização de quinta-feira (5), 13 unidades ainda apresentavam danos que exigiam intervenções. Entre os problemas identificados estão alagamentos, goteiras, queda de forros e estruturas metálicas, danos em portões e falta de energia elétrica.

O CSF Seminário permanecia fechado. As demais unidades atingidas estavam em processo de avaliação e reparos. Os serviços de urgência e emergência foram mantidos no PA Efapi e na UPA Sete de Setembro, que funcionou com o auxílio de gerador.

Quantas escolas foram atingidas pelo tornado?

O levantamento da Prefeitura identificou danos em 41 unidades de ensino e estruturas da rede municipal. Entre os casos mais graves estão a EBM Realeza, que teve destelhamento total da escola e do ginásio, e o CEIM Mundo Encantado, também com destelhamento total.

A EBM Mirian Meyer apresentou destelhamento em quase todas as salas do piso superior, com problemas estruturais expostos. Já o CEIM Pequeno Pensador teve destelhamento em quase todas as salas da parte da frente.

Outras unidades registraram danos em telhados, ginásios, cercamentos, paredes, salas de aula e instalações elétricas. O relatório também aponta quedas de árvores e infiltrações em diferentes estruturas.

Quais medidas foram adotadas pela Prefeitura?

Além do monitoramento meteorológico e do atendimento às ocorrências, a Prefeitura realizou vistorias nas áreas atingidas, mapeou a trajetória do tornado e levantou os danos nas unidades de saúde e de ensino.

Para atender moradores que tiveram imóveis destelhados, foram distribuídos 54.600 metros quadrados de lona, o equivalente a 91 rolos de 600 metros quadrados cada.

A Diretoria de Proteção e Defesa Civil também emitiu o Parecer Técnico nº 1006/2026, favorável à decretação de Situação de Emergência. O órgão solicitou ao prefeito a decretação da medida em todo o território municipal, pelo período de 180 dias. O desastre foi registrado no sistema federal S2iD.

Na conclusão do relatório, a Defesa Civil classifica o episódio como um desastre de Nível II, considerando a intensidade do fenômeno, o volume de ocorrências e o comprometimento parcial da capacidade de resposta do Poder Público Municipal.

Há previsão de novas tempestades em Chapecó?

A modelagem numérica acompanhada pela Defesa Civil indica a possibilidade de uma nova instabilidade, com potencial de severidade, para a madrugada e a manhã de sábado (7).

O órgão informou que segue monitorando as condições meteorológicas e poderá emitir novos avisos caso seja necessário.

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