
O fenômeno El Niño pode ganhar ainda mais intensidade nas próximas semanas, impulsionado por uma sequência excepcional de ventos de Oeste no Oceano Pacífico Equatorial. Segundo análise da MetSul Meteorologia, divulgada nesta quarta-feira (21), esses pulsos de vento favorecem o deslocamento de águas quentes em direção à América do Sul e podem levar o aquecimento do oceano a níveis históricos.
O episódio mais recente é apontado como o mais intenso desse tipo durante o evento de El Niño de 2026 até agora. Foi também o 13º pulso registrado neste ano na região mais ampla do Pacífico.
Como os ventos estão fortalecendo o El Niño?
Os chamados westerly wind bursts são episódios em que os ventos sopram de Oeste para Leste com intensidade suficiente para alterar a circulação oceânica. Eles enfraquecem temporariamente os ventos alísios, que normalmente sopram de Leste para Oeste, e favorecem o deslocamento de águas quentes para a porção central e oriental do Pacífico Equatorial.
Esse movimento desencadeia uma sequência de mudanças no oceano. As águas aquecidas favorecem a propagação de ondas oceânicas de Kelvin, que aprofundam a termoclina e dificultam a chegada de águas mais frias à superfície. O resultado é um aumento da temperatura do mar, que contribui para reforçar o próprio El Niño.
Qual é a previsão de aquecimento do Oceano Pacífico?
De acordo com a análise da MetSul, as anomalias de temperatura abaixo da superfície do Pacífico Equatorial chegaram a 12°C acima da média em algumas áreas. Em determinados pontos, a temperatura absoluta da água alcançou 33,4°C.
A projeção indica que a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, utilizada para monitorar o El Niño, poderá se aproximar de 4°C acima da média entre o fim de novembro e o começo de dezembro.
A previsão depende da continuidade dos pulsos de vento e do avanço de águas quentes nas profundezas do oceano.
Por que este episódio de El Niño chama a atenção?
Um dos aspectos destacados pela MetSul é a frequência dos pulsos de vento de Oeste ao longo de 2026. Segundo a análise, eles ocorreram em quase todos os meses do ano, com exceção de fevereiro, e passaram a se concentrar progressivamente mais a Leste.
Essa mudança favorece o aquecimento da região central do Pacífico, especialmente na área Niño 3.4, considerada uma das principais referências para acompanhar a evolução do fenômeno.
Quais podem ser os efeitos de um El Niño mais intenso?
O El Niño altera a circulação atmosférica e a distribuição de calor e umidade, modificando os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo. Os efeitos variam conforme a região e a época do ano.
Um episódio mais intenso pode aumentar a probabilidade de determinados extremos climáticos, mas não significa que todos os locais terão os mesmos impactos. As consequências dependem da evolução do fenômeno e da interação com outros fatores atmosféricos e oceânicos.
A MetSul destaca que o aquecimento excepcional do Pacífico e a continuidade dos pulsos de vento serão determinantes para a intensidade do El Niño nos próximos meses.
Fonte: METSUL







