
O avanço do El Niño deve manter o alerta para chuva intensa e temporais em Santa Catarina nas próximas semanas. Uma análise divulgada pela MetSul Meteorologia na quarta-feira (14) aponta que o fenômeno pode provocar volumes de precipitação acima da média em diferentes regiões do Centro-Sul do Brasil, com risco de alagamentos, inundações e elevação do nível dos rios.
A projeção considera dados de modelos meteorológicos para as próximas duas quinzenas, abrangendo o período até perto da metade de novembro. Além de Santa Catarina, o Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo aparecem entre os estados com previsão de chuva acima ou muito acima dos padrões históricos. Partes de Minas Gerais e do Rio de Janeiro também podem ser afetadas.
Oeste de Santa Catarina exige atenção
Em Santa Catarina, a tendência de chuva acima da média exige atenção também no Oeste, região frequentemente exposta a temporais durante períodos de instabilidade. A intensidade e a distribuição da precipitação, porém, podem variar de um município para outro.
Entre os possíveis impactos de episódios de chuva volumosa estão alagamentos em áreas urbanas, enxurradas, deslizamentos em locais vulneráveis e cheias de rios e córregos. A ocorrência desses problemas depende dos volumes registrados, das condições do solo e da intensidade de cada sistema meteorológico.
As projeções de longo prazo indicam tendências para regiões extensas, mas não determinam com precisão quando ou onde cada temporal vai ocorrer. Por isso, os alertas emitidos próximo às datas dos eventos são importantes para identificar os locais com maior risco.
Paraná aparece como o estado mais preocupante
Segundo a análise da MetSul, o Paraná é o estado que mais preocupa em relação ao excesso de chuva no restante de outubro. Os modelos avaliados indicam acumulados de 100 a 300 milímetros em grande parte do território paranaense até o fim do mês. Em algumas projeções, os volumes podem chegar a 300 a 500 milímetros em pontos do Estado.
A preocupação é maior porque várias áreas paranaenses já registraram chuva significativa. A continuidade desse padrão pode elevar o risco de transbordamento de rios, enchentes e alagamentos.
Mato Grosso do Sul e São Paulo também podem registrar acumulados elevados até o final de outubro, conforme a avaliação meteorológica.
Por que o El Niño influencia as chuvas?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica a circulação atmosférica e influencia os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.
De acordo com os dados da agência norte-americana NOAA citados pela MetSul, a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 chegou a 3,3°C no boletim semanal mencionado na análise. Esse valor se enquadra na categoria de El Niño muito intenso pelo índice tradicional utilizado para acompanhar o fenômeno.
No Sul do Brasil, o El Niño costuma favorecer períodos mais chuvosos e aumentar a frequência de episódios de precipitação intensa. Mesmo assim, o fenômeno não atua sozinho: frentes frias, áreas de baixa pressão e outros sistemas atmosféricos também interferem nas condições do tempo.
Defesa Civil orienta acompanhar os alertas
Diante da possibilidade de chuva volumosa e temporais, a orientação é acompanhar as atualizações da previsão do tempo e os comunicados da Defesa Civil.
Durante episódios de chuva intensa, a população deve evitar atravessar áreas alagadas, não tentar passar por trechos com correnteza e manter distância de rios e córregos com elevação rápida do nível da água. Em áreas de encosta, sinais como rachaduras no solo, inclinação de árvores e pequenos deslizamentos exigem atenção.
As condições meteorológicas podem mudar ao longo dos próximos dias. Por isso, a previsão deve ser acompanhada regularmente, especialmente nos municípios que apresentarem risco elevado nos avisos de curto prazo.







