
O El Niño de 2026 atingiu uma marca histórica antes mesmo de chegar ao período previsto para seu pico de intensidade. Segundo dados da NOAA, a temperatura da superfície do mar na região central e leste do Pacífico Equatorial chegou a 3,1°C acima da média de 1991 a 2020 em 21 de setembro.
O valor supera o recorde anterior de 3,0°C, registrado em novembro de 2015, durante um dos episódios mais intensos do fenômeno já observados.
Apesar da marca, isso não significa que a NOAA tenha classificado oficialmente o atual episódio como o El Niño mais forte da história. A agência utiliza médias móveis e também considera o Relative Oceanic Niño Index (RONI), indicador que busca avaliar de forma mais adequada a capacidade do fenômeno de influenciar o clima global.
Por esse critério, o episódio atual ainda não havia superado o El Niño de 1997-1998.
El Niño ainda deve ganhar força nos próximos meses
A temperatura excepcionalmente elevada do Pacífico não determina, sozinha, a intensidade final do fenômeno. A expectativa é que o El Niño continue se fortalecendo durante outubro e novembro, com o pico previsto entre novembro e dezembro.
A evolução chama atenção também pela velocidade. O Pacífico Equatorial passou de uma condição de La Niña no último verão para um El Niño muito forte em menos de um ano, em uma transição que pode estar entre as mais rápidas já registradas.
O aquecimento do oceano influencia a circulação atmosférica e pode alterar os padrões de chuva, temperatura e ocorrência de tempestades em diferentes partes do planeta.
Quais efeitos o El Niño pode provocar?
Entre os efeitos associados ao atual episódio estão uma temporada de furacões menos ativa no Atlântico e maior atividade no Pacífico. Também há tendência de condições mais secas em partes da América Central e de redução das chuvas no norte da América do Sul e na Amazônia.
No Sul do Brasil, por outro lado, a influência do fenômeno está associada a uma tendência de aumento das chuvas.
Os efeitos nas latitudes médias, porém, são menos previsíveis. O aquecimento global dos oceanos modificou o cenário climático de fundo, o que pode tornar menos consistentes algumas relações históricas entre o El Niño e determinados padrões regionais de chuva e temperatura.
Por isso, um El Niño excepcionalmente forte não significa necessariamente que todos os efeitos tradicionalmente associados ao fenômeno ocorrerão na mesma intensidade.
Até quando os efeitos do fenômeno devem durar?
A previsão é de que o El Niño atinja o pico entre novembro e dezembro e comece a perder força depois disso. Mesmo com o enfraquecimento, seus efeitos podem continuar sendo observados durante o primeiro semestre de 2027.
Pesquisadores também avaliam a relação entre o fenômeno atual e o aquecimento global. O aumento da quantidade de energia armazenada nos oceanos é associado às mudanças climáticas, mas ainda não há consenso sobre quanto das características extremas do El Niño de 2026 pode ser diretamente atribuído às emissões humanas de gases de efeito estufa.
No Rio Grande do Sul, as duas maiores enchentes da história do estado ocorreram no outono seguinte ao início de episódios de El Niño, em 1941 e 2024. Em ambos os casos, o fenômeno já estava em fase de enfraquecimento.
Foto: MetSul






