
O Sul do Brasil pode voltar a enfrentar um evento climático extremo? A pergunta volta ao debate diante do histórico recente de desastres e da instabilidade que ainda marcam o comportamento do clima na região.
Segundo o meteorologista Piter Scheuer, o risco existe, embora dependa de uma “combinação específica de vários fatores”, como chuvas intensas por vários dias, bloqueios atmosféricos, frentes frias estacionárias, rios já elevados e solo saturado. A repetição de um cenário como o registrado em 2024 no Rio Grande do Sul não é certa, mas também não pode ser descartada.
O especialista destaca ainda que há indícios de aumento na ocorrência de eventos extremos no Sul do país, com maior volume de chuva concentrado em curtos períodos, elevando o risco de enchentes repentinas. Além disso, tem sido observada uma alternância mais intensa entre períodos de seca e de excesso de chuva.
Clima e fenômenos globais
As mudanças climáticas atuam como um fator agravante. Embora não sejam responsáveis isoladamente por eventos extremos, elas aumentam a temperatura da atmosfera, ampliam a capacidade de retenção de umidade e intensificam a energia disponível para tempestades, o que favorece chuvas mais intensas.
Fenômenos como El Niño e La Niña também seguem influenciando o comportamento do clima. O El Niño, por exemplo, tende a favorecer mais chuva no Sul, enquanto a La Niña está mais associada a períodos de estiagem — embora não elimine a possibilidade de temporais. Ainda assim, o meteorologista ressalta que esses fenômenos não determinam sozinhos a ocorrência de desastres.
Por enquanto, não há previsão de um evento climático extremo no Sul do Brasil nas duas semanas seguintes à análise, feita no dia 27 de abril de 2026.
Depois desse período, no entanto, começam a aparecer sinais de mudança no clima. A possível influência do El Niño pode aumentar a instabilidade, principalmente no sul do Rio Grande do Sul e em áreas próximas a Santa Catarina.
Sinais de alerta e cenário atual
Entre os principais sinais de alerta para eventos extremos estão previsões de chuva volumosa por vários dias consecutivos, presença de frentes frias semi-estacionárias, rios já elevados e solo encharcado. “O perigo é maior quando a chuva extrema encontra solo já encharcado”, enfatizou o especialista.
A atuação do jato de baixos níveis, que transporta umidade da Amazônia, também é um fator relevante, especialmente quando há previsão de acumulados elevados de precipitação.
Por enquanto, não há previsão de um evento climático extremo no Sul do Brasil nas duas semanas seguintes à análise, feita no dia 27 de abril de 2026.
Depois desse período, no entanto, começam a aparecer sinais de mudança no clima. A possível influência do El Niño pode aumentar a instabilidade, principalmente no sul do Rio Grande do Sul e em áreas próximas a Santa Catarina.
Prevenção e redução de impactos
Sobre o evento de 2024, o meteorologista afirma que não deve ser tratado como um caso isolado. Novos desastres podem ocorrer, ainda que não necessariamente com a mesma intensidade ou no mesmo local.
Para reduzir impactos futuros, ele aponta a necessidade de investimentos em infraestrutura, como modernização de sistemas de drenagem, recuperação de bacias hidrográficas e planejamento urbano mais rigoroso.
Além disso, destaca a importância de sistemas eficientes de alerta, integração entre órgãos públicos e ações de educação da população para situações de risco.






