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Caso dos 400 gatos: município estima gasto de meio milhão de reais para cuidar dos animais resgatados em SC

Animais viviam aglomerados em apartamento no Centro de Concórdia; prefeitura organizará remoção, tratamento, castração e adoção dos felinos

Gatos viviam amontoados em apartamento em Concórdia (SC) — Foto: Prefeitura de Concórdia/Divulgação

A operação para resgatar, tratar e encaminhar para adoção mais de 400 gatos encontrados em um apartamento de Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, poderá custar cerca de R$ 500 mil aos cofres públicos. A estimativa foi divulgada pela Prefeitura de Concórdia nesta segunda-feira (8), durante coletiva de imprensa que detalhou as medidas adotadas para retirar os animais do imóvel e garantir atendimento veterinário adequado.

O caso ganhou repercussão após uma fiscalização constatar que centenas de felinos viviam em condições consideradas insalubres dentro de um apartamento localizado na região central da cidade. Os animais estavam espalhados por diversos cômodos do imóvel, ocupando corredores, móveis, janelas e áreas contaminadas.

Segundo relatório elaborado pelas equipes responsáveis pela vistoria, os gatos se encontravam aglomerados em praticamente todos os espaços disponíveis do apartamento. Apesar de o imóvel possuir aproximadamente 200 metros quadrados, a quantidade excessiva de animais fez com que eles se comprimirem em diferentes ambientes, comprometendo as condições de higiene e bem-estar.

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Gatos se aglomeravam até nas janelas do apartamento em Concórdia (SC) — Foto: Prefeitura de Concórdia/Divulgação

A partir da próxima sexta-feira (12), a prefeitura dará início à remoção gradual dos felinos. O trabalho será realizado de forma escalonada para garantir a segurança dos animais e permitir que cada um receba os cuidados necessários.

Conforme o planejamento apresentado pelo município, cada gato retirado do apartamento será encaminhado para uma das cinco clínicas veterinárias credenciadas pela administração municipal. Nesses locais, os animais passarão por avaliação clínica completa, quarentena e, quando necessário, receberão tratamento médico.

Após a etapa inicial de atendimento, os gatos serão encaminhados ao Instituto Federal Catarinense (IFC), onde passarão pelo processo de castração. Em seguida, serão levados para lares temporários administrados pelas clínicas credenciadas, que continuarão responsáveis pelo acompanhamento veterinário até que os animais sejam adotados definitivamente.

A prefeitura informou que não há prazo definido para a conclusão da retirada de todos os gatos. O cronograma dependerá da capacidade de atendimento das clínicas parceiras e das condições de saúde dos felinos encontrados no local.

Além disso, o número exato de animais ainda não é considerado definitivo. Embora uma fiscalização realizada em setembro do ano passado tenha contabilizado 424 gatos, o município acredita que essa quantidade possa ter diminuído ao longo dos meses em razão da mortalidade natural dos animais e também de fugas registradas devido a danos em telas de proteção existentes no apartamento.

A moradora do imóvel, uma mulher de 73 anos, é investigada pela Polícia Civil por suspeita de maus-tratos aos animais. Segundo informações da prefeitura, ela recebe acompanhamento psicológico, conforme previsto em decisão judicial expedida em maio deste ano.

A administração municipal informou que a mulher inicialmente possuía apenas um casal de gatos. No entanto, sem controle populacional adequado, os animais teriam se reproduzido continuamente ao longo de pelo menos uma década, resultando na superpopulação observada atualmente.

A situação já era monitorada pelo poder público desde setembro de 2025, quando denúncias levaram equipes municipais ao local. Na ocasião, foi elaborado um termo de responsabilidade determinando que a tutora providenciasse vacinação, castração e atendimento veterinário aos animais no prazo de 30 dias.

Como as exigências não foram cumpridas, o caso foi encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que promoveu a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em abril deste ano. Mesmo após o acordo, as medidas previstas não foram executadas.

Diante do descumprimento das determinações, a Justiça autorizou a retirada dos animais do apartamento, transferindo ao município a responsabilidade pela operação de resgate e acolhimento.

Apesar do elevado custo estimado, a Prefeitura de Concórdia afirmou que pretende buscar judicialmente o ressarcimento das despesas relacionadas ao atendimento veterinário, castração, alimentação, hospedagem temporária e demais procedimentos necessários para garantir o bem-estar dos animais até a adoção.

O caso é considerado um dos maiores já registrados envolvendo acúmulo de gatos em ambiente residencial em Santa Catarina e mobiliza órgãos públicos, clínicas veterinárias e entidades ligadas à proteção animal para garantir uma solução adequada para os felinos resgatados.

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