sexta-feira, abril 4, 2025
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VÍDEO: ClicRDC tem acesso a imagens exclusivas do confronto na Aldeia Kondá

Nossa equipe foi procurada por indígenas que se encontram alojados no Ginásio, que apresentaram sua versão da história

Foto: ClicRDC

Após a briga generalizada que aconteceu por volta do meio-dia de domingo (16), que resultou na morte de uma pessoa e alguns feridos, na Aldeia Kondá em Chapecó, Oeste de Santa Catarina, o ClicRDC esteve na segunda-feira (17), no local e conversou com o Cacique Efésio Siqueira, que revelou uma versão do acontecido. Nesta terça-feira (18), nossa equipe foi procurada pelos indígenas que estão abrigados no Ginásio Ivo Silveira, e contam uma versão diferente dos fatos.

Segundo relatos do indígena Conselheiro local da Saúde da Aldeia Kondá, Édson Campos, em entrevista ao ClicRDC, o conflito aconteceu porque as famílias que estão atualmente desabrigadas, não aceitaram atitudes tomadas pelo atual cacique, Efésio Siqueira. “O cacique agrediu adolescentes, vendeu cabeça de gado e eucalipto, bens materiais da comunidade. Solicitamos prestação de contas, porque a gestão do cacique só beneficia ele e a família, e não obtivemos retorno”. Explica Edson.


Ainda segundo Édson, a comunidade solicitou que não acontecesse o evento de comemoração no domingo, pois estavam sendo ameaçados pelo grupo que apoia o cacique e de acordo com Edson, estavam temerosos de que algo de ruim acontecesse. “Faz aproximadamente 45 dias que estamos em conflito na aldeia. Porém na madrugada de domingo, nós que somos do grupo que não concorda com as ações do cacique, fomos atacados com foguetes. Não sabemos quem matou o jovem no domingo, estamos tristes com essa perda”.

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O vídeo do momento em que os indígenas foram atacados por foguetes foi disponibilizado com exclusividade ao ClicRDC, confira:

Vídeo: Édson Campos

Segundo Edson, as casas que foram incendiadas, são de pessoas contra o cacique. “Houve o incêndio e a Polícia esteve no local, e fomos instalados no Ginásio Ivo Silveira, onde recebemos ajuda da Prefeitura de Chapecó. Tem pessoas que são contra o cacique que ainda estão na aldeia, sendo ameaçadas e aos poucos deixando o local e se juntando a nós aqui no ginásio”.

Vídeo: Édson Campos

A nossa equipe conversou com outra indígena, que preferiu não se identificar, ela relatou que na manhã desta terça-feira (18), quando foi até a casa da sogra, para verificar o clima na Aldeia, teve uma surpresa. “Estão roubando as casas das pessoas que estão abrigadas no Ginásio, móveis, roupas, brinquedos. O cacique está mandando saquear. Estamos sofrendo ameaças de queimar as casas que ainda estão no local”.

Prefeitura auxilia na mediação

A pedido da Funai o município cedeu o ginásio Ivo Silveira e está auxiliando com colchões, roupas e alimentação, com as equipes da Secretaria de Família e Proteção Social, Defesa Civil, apoio de entidades como Cruz Vermelha, além de doações da comunidade. A Guarda Municipal também está colaborando com a Polícia Federal e Polícia Civil na segurança da Aldeia e do ginásio.

Nesta terça-feira a Secretaria de Saúde do Município instalou um consultório improvisado no ginásio, com oito profissionais para atender sintomas de dor de cabeça, hipertensos, diabéticos e outras demandas.

Também foram realizadas reuniões, primeiro na Prefeitura e depois no ginásio, com a presença do prefeito João Rodrigues, do Procurador do Ministério Público Federal, Antônio Augusto Teixeira Diniz, do coordenador regional da Funai, Adroaldo Antonio Fidelis, da secretária da Família e Proteção Social, Ariete Lauxen, do presidente da Fundação Cultural, Fellipe de Quadros, e do coordenador municipal da Defesa Civil, Valter Luciano Hüning, além das lideranças Kaingang. Na segunda reunião também estiveram o comandante da 4a Região da Polícia Militar, Jorge Luiz Haack, e o comandante do 2o BPM, major Rafael Antônio da Silva.

De acordo com o prefeito João Rodrigues, o objetivo foi conversar com as lideranças da Aldeia, tanto da situação quanto da oposição, para pacificar a comunidade. Cerca de 300 indígenas estão abrigados no ginásio, que é um local provisório.


Na reunião o Ministério Público Federal destacou que haverá segurança presente na Aldeia para que as famílias possam voltar para suas casas. O Procurador também ressaltou que os envolvidos no homicídio e outros atentados contra a vida, além dos incêndios, serão responsabilizados criminalmente. Além disso, será realizado um plebiscito para escolha das lideranças da comunidade, até o dia 20 de agosto.

Um levantamento será realizado no ginásio e na Aldeia, para verificar se pessoas de outras aldeias não estão vindo para Chapecó. Conforme o prefeito, quem não for de Chapecó será encaminhado de volta para sua origem.

Gradativamente os indígenas devem voltar para a aldeia, inicialmente pelos que não estiveram envolvidos no conflito.

O ClicRDC voltará a procurar o cacique Efésio Siqueira, para entender o lado exposto nessa reportagem.

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