terça-feira, agosto 11, 2026
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PF investiga aplicação de R$ 97 milhões da previdência de Maceió no Banco Master

Operação da PF e da CGU cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Alagoas e São Paulo; secretário de Fazenda está entre os investigados

Foto: Polícia Federal/divulgação

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram uma operação nesta segunda-feira (10) para investigar possíveis irregularidades na aplicação de recursos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações do Banco Master.

Ao todo, o instituto aplicou R$ 97 milhões em letras financeiras emitidas pelo banco em dezembro de 2023. Em maio de 2024, houve uma nova aplicação de R$ 17 mil. A investigação apura se houve falhas ou direcionamento no processo que levou aos investimentos.

Quantos mandados foram cumpridos pela operação?

Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em cidades de Alagoas e São Paulo. As ordens foram expedidas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Os agentes foram autorizados a apreender computadores, celulares, dispositivos de armazenamento, documentos, contratos, comprovantes financeiros, agendas e outros materiais que possam contribuir com a investigação.

Também foi determinada a indisponibilidade de bens móveis, imóveis e valores pertencentes aos seis principais investigados, até o limite global de R$ 97 milhões.

Quem são os investigados no caso do Iprev de Maceió?

Entre os alvos está João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió. Na época dos fatos investigados, ele integrava o Conselho de Administração do Iprev.

Também são investigados:

  • Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev;
  • Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do instituto;
  • Renan Foglia Calamia, dirigente da empresa Crédito & Mercado;
  • Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda;
  • Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos do Iprev.

A investigação também envolve endereços ligados ao Iprev e à empresa Crédito & Mercado de Valores Mobiliários Ltda.

Qual é a suspeita da Polícia Federal sobre os investimentos?

Segundo a Polícia Federal, as suspeitas de possível gestão fraudulenta envolvem duas aplicações realizadas pelo Iprev em letras financeiras emitidas pelo Banco Master.

A PF apura as etapas de credenciamento, cotação, análise de risco, governança e tomada de decisão que antecederam os investimentos.

A investigação também busca esclarecer a atuação da empresa de consultoria Crédito & Mercado, contratada pelo Iprev. Conforme a PF, a empresa teria participado do credenciamento, da elaboração e validação de análises e da preparação de documentos relacionados às operações.

Para a Polícia Federal, essa atuação pode ter representado uma “terceirização indevida da competência administrativa” do instituto.

O que o ministro André Mendonça apontou na decisão?

Na decisão que autorizou as buscas, André Mendonça registrou que a Polícia Federal apresentou indícios de possível direcionamento dos investimentos e de exposição considerada desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de maior risco e baixa liquidez.

Segundo o despacho, as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) teriam apresentado justificativas genéricas e padronizadas. A PF também aponta ausência de estudo comparativo adequado, análise suficiente do risco de crédito e avaliação de liquidez.

A investigação ainda busca verificar se houve análise da cláusula de subordinação e uma justificativa concreta para a escolha do Banco Master.

O que aconteceu com o Banco Master?

O Banco Master, pertencente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi colocado em liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025.

Na ocasião, o BC informou que a instituição havia violado normas do Sistema Financeiro Nacional e enfrentava uma grave crise de liquidez.

A situação do banco é um dos elementos que motivaram a apuração sobre os investimentos realizados com recursos do Iprev.

O que diz o Iprev de Maceió sobre o caso?

Em nota, o Iprev afirmou que os atos relacionados aos investimentos “observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis”.

O instituto também informou que seu patrimônio passou de aproximadamente R$ 400 milhões em 2021 para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente. Segundo o Iprev, o volume de recursos garante a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas.

O instituto declarou ainda que está colaborando com as autoridades durante as investigações.

Até a publicação da reportagem, não havia manifestação dos demais investigados. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

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