
⚡ Em Resumo:
- O que é: Denúncia do Ministério Público de Santa Catarina contra 14 suspeitos de integrar uma organização criminosa neonazista.
- Números/Dados: 14 denunciados, 21 mandados de busca cumpridos em quatro estados e oito acusados também denunciados por racismo e apologia ao nazismo.
- Onde: Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Sergipe.
- Quem afeta: Investigados, instituições de segurança pública e ações de combate ao extremismo e crime.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresentou à Justiça uma denúncia contra 14 supostos integrantes de uma organização criminosa neonazista que atuava em Santa Catarina, São Paulo e Paraná. A ação foi protocolada pela 39ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital na tarde de segunda-feira (15) e ainda aguarda análise do Poder Judiciário.
Caso a denúncia seja recebida, os investigados passarão à condição de réus em uma ação penal.
Quem são os denunciados pelo Ministério Público?
Entre os denunciados estão o suposto líder da organização, identificado pelos próprios integrantes como o “Führer brasileiro”, seu principal auxiliar, uma escrivã da Polícia Civil de São Paulo, um policial militar paulista e um advogado que, segundo a investigação, prestaria apoio jurídico ao grupo.
Além do crime de organização criminosa, oito investigados também foram denunciados por racismo e apologia ao nazismo.
Como a investigação foi conduzida?
As apurações foram conduzidas pela 39ª e pela 40ª Promotorias de Justiça da Capital, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), por meio do CyberGAECO.
Segundo o Ministério Público, as investigações apontaram a existência de uma estrutura organizada, com hierarquia definida, regras internas e atuação contínua voltada à disseminação da ideologia neonazista e de discursos de intolerância racial, religiosa, política e sexual.
Como funcionava a suposta organização criminosa?
De acordo com a denúncia, os integrantes utilizavam símbolos associados ao nazismo e à supremacia branca. As investigações identificaram a existência de fichas de ingresso, produção de camisetas exclusivas e cobrança de mensalidades dos membros considerados oficialmente integrantes do grupo.
Os recursos arrecadados seriam utilizados para custear materiais de propaganda e manter as atividades da organização.
As apurações também indicam que o grupo realizava encontros presenciais para discutir estratégias de recrutamento, disseminação ideológica e organização de ações coordenadas.
O que eram os chamados “rolês” citados na investigação?
Conforme a denúncia, os investigados utilizavam a expressão “rolês” para definir deslocamentos em grupo destinados ao monitoramento de espaços públicos, identificação de pessoas consideradas adversárias ideológicas e possíveis confrontos.
O Ministério Público afirma ainda que o grupo chegou a elaborar dossiês sobre indivíduos apontados como potenciais alvos de agressões ou retaliações.
Outro ponto identificado foi o uso de orientações de segurança digital e operacional para dificultar a identificação dos integrantes e o acesso das autoridades às atividades desenvolvidas.
O que foi a Operação Nuremberg?
A Operação Nuremberg foi deflagrada em 31 de outubro de 2025 pelo CyberGAECO em apoio a um procedimento investigatório criminal instaurado pela 40ª Promotoria de Justiça da Capital.
Na ocasião, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão em quatro estados: Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Sergipe. As ações ocorreram nas cidades de São Paulo, Campinas, Taboão da Serra, Osasco, São José dos Pinhais, Curitiba, Araucária, Cocal do Sul, Jaraguá do Sul e Aracaju.
Durante o cumprimento dos mandados, as equipes apreenderam materiais de apologia ao nazismo, além de armas brancas, facas e socos ingleses.
Por que a operação recebeu o nome Nuremberg?
Segundo o Ministério Público, o nome faz referência aos Julgamentos de Nuremberg, realizados após a Segunda Guerra Mundial, considerados um marco histórico na responsabilização de envolvidos em crimes de ódio e extremismo.
A denominação foi escolhida como símbolo do enfrentamento a grupos que promovem ideologias violentas e atentatórias ao Estado Democrático de Direito.












