
Faltando menos de 30 dias para o julgamento, marcado para 11 de fevereiro no Fórum da Comarca de Chapecó, a família de Sedinei Wawczinak, de 42 anos, busca forças para seguir em frente após o crime bárbaro que chocou a pequena cidade de Paial, no Oeste de Santa Catarina. Sedinei foi morto com um tiro na cabeça em sua residência no dia 20 de junho, crime atribuído à sua esposa, que na época era ex-vereadora do município.
O Crime, a Fuga e a Busca por Verdade
Após o crime, a suspeita fugiu e foi presa logo após em uma área rural, no interior de Chapecó. Desde então, a família enfrenta o luto e a luta pela memória de Sedinei. A irmã de Sedinei, ao ser contatada, não teve forças para falar, mas sua sobrinha, Carla, compartilhou um desabafo emocionante sobre a dor e a necessidade de justiça.
Carla declarou:
“Meu nome é Carla e sou sobrinha de Sedinei — nosso querido Side. Escrevo com a voz embargada pela dor de uma família inteira, uma família que hoje precisa lutar para que a verdade sobre ele não seja soterrada por mentiras.
Antes de ser um nome em uma notícia trágica, Side era nosso pilar. Era o irmão, o pai, o filho, o tio e o amigo. Era um homem com uma história, com sonhos e com uma vida arrancada de nós de forma brutal e covarde. E após sua morte, iniciou-se um segundo crime, talvez tão cruel quanto o primeiro: o assassinato de sua memória.
Sabemos que minha tia Adriana, seus familiares e amigos lerão isto. E quero que saibam: não é o ódio que move estas palavras, mas um grito desesperado por justiça. Justiça para que a lembrança do homem que amamos não seja manchada por uma narrativa criada para livrar uma assassina de seu crime.
A maior e mais dolorosa herança dessa tragédia é a que seus filhos carregarão para sempre. Duas crianças, hoje órfãs de pai e, no momento, também de mãe, que está presa. Elas já carregam um fardo que nenhuma criança deveria conhecer, e agora arriscam crescer acreditando que o pai que tanto amavam era o monstro que a assassina dele descreve.
Como se explica o inexplicável a uma criança? Se para nós, adultos, o chão desapareceu, como dizer ao meu filho de 8 anos o que aconteceu com seu padrinho? Para ele, o “Tio Side” não era um agressor. Era o cheiro de férias no interior, o som das risadas nos fins de semana. Era o tio que, mesmo exausto após um dia inteiro de trabalho pesado, o colocava no trator, mostrava as vacas e encontrava energia para brincar. Era o homem que acordava antes do sol e voltava quando a lua já ia alta, muitas vezes sem ter tido tempo de comer direito, mas com um sorriso de quem amava a paz que construiu com as próprias mãos.
Side era a personificação do trabalho e da humildade. Vendeu tudo o que tinha na cidade para recomeçar no campo, onde ergueu sua casa e seu sustento. Seu negócio de leite crescia a cada dia, não por sorte, mas pelo suor de seu rosto e pelo amor que dedicava àquela vida. “Não troco essa paz por nada”, ele sempre dizia.
Agora, essa paz foi destruída. Minha mãe, Inês, sua irmã, luta para se manter de pé enquanto o luto a consome. Meu pai sente a ausência do cunhado e do amigo que era parte de nossa rotina. A dor se espalhou como uma ferida aberta por toda a família.
Nos causa uma revolta profunda ver o nome de Sedinei, um homem bom e correto, ser arrastado na lama com acusações de violência doméstica. A violência contra a mulher é uma chaga real e combatê-la é um dever de todos. Mas usar essa luta sagrada como um escudo para justificar um homicídio é uma covardia. Não há uma única prova. Nenhum registro policial. Nenhuma testemunha. Apenas uma história conveniente, criada para transformar a vítima em vilão e a assassina em vítima.
O que pedimos é simples, mas vital: verdade. Pedimos que a memória de Sedinei seja respeitada. Pelos seus filhos, que merecem crescer sabendo que tiveram um pai amoroso e digno. Pela nossa família, que só quer o direito de viver seu luto em paz.
Nossa dor não busca vingança, mas clama por justiça. Justiça para que a vida de Sedinei não seja resumida à mentira que foi contada após sua morte.”
O Julgamento e a Luta pela Memória
A família de Sedinei, representada por sua irmã Inês e demais parentes, enfrenta o desafio de manter a memória do ente querido viva e correta diante das acusações que surgiram após sua morte. O depoimento de Carla evidencia a profunda dor e a necessidade de que a verdade sobre Sedinei prevaleça, especialmente para os dois filhos do casal, que carregam o fardo de ter perdido o pai e de ver a mãe presa.
A busca por justiça visa garantir que a história de Sedinei, um homem descrito como trabalhador, humilde e pilar para sua família, não seja distorcida por uma narrativa que, segundo eles, visa isentar a acusada de seu crime. A família reitera que sua dor não busca vingança, mas sim o direito de honrar a memória de Sedinei e garantir que seus filhos cresçam com a verdade sobre quem ele foi.













