
No final da tarde desta segunda-feira (13), algumas mães de alunos da turma 21 da Escola de Educação Básica Bom Pastor, em Chapecó, se reuniram para atender à imprensa em um estabelecimento comercial do centro da cidade. O objetivo era esclarecer o impacto do amarro com fitas supostamente praticado pelas professoras da turma nas crianças, e como avança o inquérito policial aberto após o registro do Boletim de Ocorrência na Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso de Chapecó (DPCAMI) da Polícia Civil.
Conforme a mãe, vários pais de alunos da turma já foram chamados para prestar depoimento. Ela afirma não ter sido informada do afastamento das professoras acusadas do ambiente escolar, conforme apuração da repórter Claudia Pletsch, da NSC, com informações oficiais da Secretaria de Estado da Educação: “A escola mandou para nós uma mensagem de texto, no grupo dos pais, dizendo que as professoras não iam para a sala de aula. Na sexta-feira a gente foi em uma reunião, lá na Secretaria da Educação, com a Jaqueline (Weiler Brock, coordenadora regional de educação), e ela passou para nós que elas não foram afastadas ainda, que elas foram chamadas lá na Secretaria da Educação para conversar, e serem orientadas a não estarem indo na escola”.
De acordo com a mãe, as professoras iriam pegar atestado médico para se afastarem da sala de aula: “Foi chamada a primeira professora lá, foi, deu tudo certo, pegou atestado. A segunda professora, até então, não tinha ido até lá com eles para conversar. Mas o pedido da Secretaria é para elas ficarem afastadas da escola até se resolver a questão no Judiciário”.
Com este relato, ficou confirmado que a coordenadora Jaqueline faltou à sessão de sexta-feira (10) da Câmara de Vereadores de Chapecó, onde havia sido requerida pelos vereadores André Kovaleski e Fernando Cordeiro (PL) para explanar as ações do programa Escola Boa na Rede Estadual de Ensino de Chapecó, para buscar um resolução sobre os fatos ocorridos na EEB Bom Pastor.
Danos morais
A mãe entrevistada pela reportagem opinou sobre a vontade de alguns pais de abrirem uma ação cível contra as professoras acusadas, requerendo indenização por danos morais ocasionados às crianças: “Pra ser bem sincera, o meu filho ainda tá psicologicamente bem abalado. No domingo, ele disse assim pra mim, ‘mamãe, amanhã é segunda, já tem que ir pra escola, né?’ E eu disse, ‘sim, amanhã você já vai pra escola’. Ele começou a chorar. ‘Mãe, eu não quero ir pra escola’. E daí eu conversei com ele, expliquei que as professoras não iam estar mais lá, né? Que ia dar tudo certo, que ia ter pra ele ir na escola. Inclusive, hoje (segunda) eu levei ele até a escola. Quando ele chegou lá, que bateu o sinal, que viu que entrou a professora de Educação Física e a direção entrar junto dentro da sala de aula, ele já entrou em desespero, já começou a chorar, já não queria entrar dentro da sala de aula. Conversei com ele, tentei acalmar ele, e ele entrou mais calmo, mas assim, um pouco abalado, né? Então assim, eu, no meu ver, iria querer pedir uma indenização suficiente para pagar, pelo menos, uma psicóloga, né? Porque ele vai ter que tratar o psicológico dele, porque ele tá bem abalado ainda”.
Para a mãe, ver o desespero do filho foi doloroso: “Ele dizia assim, ‘mãe, você vai virar as costas, elas vão entrar aqui dentro’. Tu vê o medo psicológico dele de que elas entrem lá de volta na escola, que elas voltem pra sala de aula. E não só por ele, mas por nós lá em casa também, porque a gente também ficou bem abalado pelo fato de ter passado todo esse período com essa pressão psicológica”.
Opinião pública
Quando questionada sobre a divisão de opiniões na comunidade sobre o ocorrido, com parte da sociedade defendendo as famílias dos alunos; e a outra parte defendendo os professores, a mãe confessou seu espanto: “Na verdade, eu nem leio mais os comentários. Eu prefiro pensar que as pessoas que defendem lado da professora não têm filhos. Porque se eles tivessem, eu tenho certeza que os comentários iam ser bem diferentes. Quando tu tem um filho, você vai querer zelar e proteger ele com unhas e dentes. Então, para uma pessoa chegar e chamar meu filho de ‘alecrim dourado’, é porque essa pessoa não tem filho. Se tivesse filho, eu acredito que jamais iria ter um comentário desse na rede social”.
Por fim, a mãe relatou decepção pelos comentários afirmando que os pais das crianças estão fazendo “um auê por pouca coisa”, mas para ela, não é: “Foi uma agressão psicológica e física. É uma coisa que só nós, pais, estamos passando, e sabemos explicar qual é o sentimento. Isso daí deixa a gente mais triste ainda”.











