
O jornalismo da Condá FM questionou a Associação Lenoir Vargas Ferreira (ALVF), gestora do Hospital Regional do Oeste (HRO), sobre o impacto da recusa das famílias em transferir pacientes da unidade para outros hospitais da região no represamento da fila de cirurgias e internações do hospital. A assessoria de comunicação do HRO produziu um painel com dados referentes às transferências registradas entre os meses de janeiro e junho de 2026, que mostra um cenário interessante sobre o dia a dia do principal hospital do Oeste Catarinense.
No primeiro semestre deste ano, o HRO enviou para outros hospitais 327 pacientes, e recebeu 113. Isso significa que, para cada paciente recebido pelo hospital de outra unidade, envia três. E poderia estar enviando mais: dos 683 pedidos de transferência enviados pelo HRO, apenas 48% foram bem sucedidos, e 45% (305) foram cancelados.
Conforme fontes consultadas pela Condá FM, que não quiseram se identificar, o principal motivo para os cancelamentos de transferência é a recusa das famílias em autorizar a ida de seus familiares para outros hospitais, principalmente quando o motivo apresentado é a comodidade que a família quer preservar de ter o familiar internado em Chapecó, e cujo direito a isso é reservado pela legislação vigente.
Entretanto, para as fontes, isso diminui a capacidade de realização de cirurgias por parte do HRO, em função da ocupação dos leitos. Outros motivos para cancelamento de transferências, que ocorrem em menor medida, são a alta ou óbito do paciente, ou um pedido médico por piora ou melhora clínica. Dos 683 pedidos de transferência do HRO para outros hospitais, houveram 17 casos com resultado morte para o paciente.
Quanto às transferências recebidas pelo HRO, o hospital aceitou 113 (58%) dos 195 pedidos de remanejamento de pacientes para a unidade hospitalar. Houveram 55 solicitações canceladas (28%) e 43 pedidos negados pelo hospital (22%). Os 2% restantes correspondem as quatro mortes do semestre nesse processo.
Texto: André de Lazzari






