Comissão discute fechamento de frigoríficos devido à pandemia da Covid-19 em Santa Catarina

Deputados e lideranças do setor criticaram a ação da subsecretaria do Ministério da Economia que interditou um frigorífico de aves no Oeste de SC

Comissão de Agricultura fez reunião extraordinária nesta segunda-feira (18) para tratar do assunto – Foto: Reprodução/TVAL

Na segunda-feira (18), a Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) discutiu o fechamento de frigoríficos devido à pandemia do novo coronavírus no Estado. Segundo a Alesc, o governo estadual se comprometeu a não publicar nenhuma portaria regulamentando o funcionamento de frigoríficos catarinenses durante a pandemia, sem antes dialogar com o setor.

Outro ponto levantado pela comissão foi um maior alinhamento do governador Carlos Moisés da Silva com a agroindústria. No encontro, deputados e lideranças do setor criticaram atuação da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho, vinculada ao Ministério da Economia, que interditou um frigorífico de aves em Ipumirim, no Oeste catarinense, devido a irregularidades na prevenção ao novo coronavírus, sem comunicar o governo estadual.

Durante mais de duas horas, lideranças do agronegócio catarinense alertaram os deputados da preocupação com os prejuízos econômico e social com a possiblidade de fechamento de unidades frigoríficas. As empresas, segundo essas lideranças, estão dispostas auxiliar o governo no desenvolvimento de ações de combate à Covid-19. Já no início da reunião, o presidente da comissão, deputado José Milton Scheffer (PP), fez um pronunciamento lembrando que as agroindústrias catarinenses seguem protocolos internacionais de sanidade animal e que fechamento de unidades só deve ocorrer em último caso. “Se fechar, vai faltar alimentos nas gôndolas e a crise será maior ainda”, alertou.

Controle nas agroindústrias

A superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, Raquel Bittencourt, além de assumir o compromisso que o governo não publicará portaria sem dialogar com o setor, enfatizou por várias vezes que não há decisão de fechamentos de unidades e que a questão é com o enfrentamento ao novo coronavírus. Ela reconheceu que os frigoríficos se anteciparam na prevenção, mas afirmou que é necessário aprimorar esse controle, dadas as características dos frigoríficos. “As chances de transmissão são grandes, mesmo que seja num ambiente com muitos cuidados de higiene.”

Ela apontou que as indústrias devem aprimorar os cuidados em alguns procedimentos, como a desparamentação do trabalhador (quando ele retira o uniforme e os equipamentos de proteção), o distanciamento no transporte, nas trocas de turno e em todos os ambientes das plantas industriais, entre outras medidas.

A superintendente salientou que o fechamento da unidade em Ipumirim ocorreu por uma decisão de um órgão vinculado ao Ministério da Economia e que o governador Carlos Moisés já estaria buscando diálogo em Brasília para intermediar e acompanhar essa decisão. “O Ministério da Economia tem autonomia de ação e desde o fim de semana estamos em busca de uma harmonização das ações.”

O secretário-adjunto da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Ricardo Miotto, também defendeu a articulação do governo estadual em não prejudicar o agronegócio catarinense e destacou que a pasta tem trabalhado de forma a manter o diálogo constante com as lideranças do setor. “Não queremos fechamentos de unidades e o governo estadual tem dialogado com todo o setor”. Ele falou ainda que apesar de não estar nos planos o abate sanitário de aves e suínos por causa de fechamento de unidades, a secretaria já teria um protocolo de ações prontos caso isso seja necessário.

A presidente da Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina), Luciane de Cássia Surdi, relatou que há uma preocupação com a possibilidade de abates de animais, com o fechamento de unidades de agroindústrias. Disse que as aves duram de dois a três dias com a interdição e que os suínos até uma semana e depois terão que ser sacrificados, mas isso precisaria de um deslocamento de toda uma equipe da Cidasc, equipamentos das prefeituras para aberturas de valas, licenças ambientais para enterrar os animais, além do risco de levar o vírus da Covid-19 para a área rural. “É uma situação indesejada, que não queremos, por isso tem que haver o diálogo e a parceria.”