
Santa Catarina possui cerca de 91,6 mil pessoas com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), número que corresponde a 1,2% da população do Estado. Os dados da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) foram apresentados durante o Seminário Estadual de Autismo, realizado nesta quarta-feira (12), em Florianópolis.
O encontro reuniu especialistas, profissionais da educação, representantes de entidades e familiares para discutir os desafios da inclusão escolar e do atendimento às pessoas com autismo.
A iniciativa foi coordenada pela Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência e pela Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), com foco na capacitação de profissionais e no fortalecimento das políticas de inclusão.
Quantas pessoas com autismo vivem em Santa Catarina?
De acordo com os dados apresentados durante o seminário, aproximadamente 91,6 mil pessoas possuem diagnóstico de TEA em Santa Catarina. O número representa 1,2% da população estadual.
Do total, 62,6% são do sexo masculino. Os dados também indicam forte concentração de pessoas diagnosticadas em municípios como Joinville e Florianópolis.
Santa Catarina possui legislação específica de apoio às pessoas com autismo, além de iniciativas como a emissão gratuita da carteira de identificação e programas voltados à inclusão.
Quais são os principais desafios enfrentados pelas famílias?
A ampliação do atendimento e a redução das filas estão entre os principais desafios relatados durante o evento.
A presidente da Federação das Associações de Amigos do Autista de Santa Catarina (Feamas-SC), Catia Cristiane Purnhagen Franzoi, destacou a importância da capacitação dos profissionais e da disseminação de informações sobre o autismo.
Segundo ela, aproximadamente 500 crianças aguardam atendimento em Balneário Camboriú, onde atua. Em Itajaí, conforme informações repassadas à entidade, a fila chega a cerca de 1,2 mil crianças.
Além da espera por atendimento, há famílias que aguardam pelo diagnóstico de autismo.
A Feamas-SC possui aproximadamente 32 Associações de Amigos do Autista (AMAs) cadastradas. Outras cerca de 30 entidades, recém-criadas, recebem suporte para buscar o credenciamento e integrar a rede.
Por que a inclusão escolar precisa considerar cada estudante?
A presidente da AMA Florianópolis, Daniela Dias Steindorff, destacou que não existe uma fórmula única para trabalhar com pessoas autistas.
Segundo Daniela, a experiência das famílias e das instituições mostra que cada pessoa possui características e necessidades próprias. Por isso, o conhecimento discutido no seminário precisa chegar às escolas e ao cotidiano das famílias.
“Não há fórmula pronta para tratar o autismo. Na AMA, convivemos com essa realidade há três décadas, e nenhuma pessoa autista cabe em uma fórmula pronta”, afirmou.
Para ela, a formação dos profissionais e a troca de experiências são importantes para transformar o conhecimento em práticas de inclusão.
Como a neurociência pode contribuir para a aprendizagem?
O professor e especialista em autismo Eugênio Cunha abriu a programação com a palestra “A Arquitetura do Aprendizado: Autismo, Neurociência e DUA”.
Durante a apresentação, ele abordou a relação entre neurociência, aprendizagem e práticas pedagógicas, além dos princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA).
Segundo Eugênio, o DUA propõe acessibilidade metodológica e curricular dentro da sala de aula.
O especialista também destacou que não existe uma única forma de aprender. Por isso, as estratégias pedagógicas precisam considerar as características de cada estudante.
O que as famílias esperam das políticas de inclusão?
A experiência das famílias também esteve presente nas discussões.
Alessandra Couto Vieira, mãe de Tiago, de 18 anos, autista, participou do seminário. Ela também atua como coordenadora da AMA Navegantes e acompanha demandas de famílias e profissionais.
Para Alessandra, o conhecimento compartilhado pelos especialistas pode ser levado para as instituições e utilizado pelas equipes multiprofissionais.
Ela também relatou a própria trajetória ao lado do filho e afirmou que a experiência contribuiu para sua transformação pessoal e para uma compreensão mais ampla sobre inclusão.
Quais temas foram discutidos durante o seminário?
A programação abordou diferentes aspectos relacionados à aprendizagem e ao desenvolvimento de estudantes autistas.
Entre os temas estiveram neurociência, Desenho Universal para a Aprendizagem, estratégias baseadas em evidências, comunicação, habilidades motoras, processamento sensorial e autorregulação.
Claudia Sabatini apresentou conteúdos sobre estratégias para o desempenho escolar e práticas pedagógicas voltadas à inclusão de alunos autistas.
Fernando Calil abordou a relação entre regulação, comunicação, habilidades motoras e processamento sensorial, além de estratégias para compreender e prevenir crises.
O encerramento da programação ficou a cargo de Sabrina Padilha, com a palestra “Em Nome do Filho: A Jornada da Maternidade Atípica”.
Por que a formação dos profissionais é importante para a inclusão?
A proposta do seminário é aproximar conhecimento científico, experiência profissional e realidade das famílias.
A formação continuada pode auxiliar professores e demais profissionais da educação a compreender melhor as características do autismo e a desenvolver estratégias adequadas para diferentes estudantes.
A discussão também reforça que inclusão escolar não significa apenas garantir a matrícula. É necessário criar condições para que o estudante participe das atividades, tenha acesso à aprendizagem e desenvolva suas habilidades de acordo com suas necessidades.
Como Santa Catarina apoia as pessoas com autismo?
Santa Catarina possui legislação específica voltada aos direitos das pessoas com autismo e programas de inclusão.
Entre as iniciativas está a emissão gratuita da carteira de identificação para pessoas com TEA. O documento permite a identificação e o acesso a direitos e atendimento prioritário.
O seminário realizado pela Alesc também reforçou a necessidade de aproximar famílias, instituições, profissionais e poder público na construção de políticas de inclusão.
A discussão mostra que os desafios vão além da escola e envolvem atendimento, diagnóstico, formação profissional e apoio às famílias.





