
De tempos em tempos ouvimos por aí que “há uma virose” circulando e deixando muitas pessoas doentes ou acamadas. Logo, se formam filas em postos de saúde e unidades de pronto atendimento de modo que com a consequente proliferação dos casos, os médicos já não sabem (de plano) dissociar quem de fato está com a virose daqueles que possuem outra patologia mais grave precisando de mais atenção.
Como um verdadeiro paradigma, o modelo acima também é aplicado no atual cenário jurídico e político brasileiro. Há uma virose de argumentos e teses, sendo muitas infundadas sobre qualquer tema, qualquer área e qualquer assunto. Puxando a brasa para o meu assado, nós advogados sofremos muito com isso, pois o nosso trabalho, em tese, é criar teses para guardar os direitos de nossos clientes, porém, com o tsunami da internet atualmente a advocacia vive momento de reinvenção, haja vista o excesso de opiniões esdrúxulas e sem sentido na nossa área que contaminam até mesmo o judiciário, que no fim das contas é composto por pessoas.
Usuários formam filas, especialmente nas redes sociais para opinarem sobre qualquer coisa e qualquer assunto, mesmo naqueles os quais sequer têm o mínimo de conhecimento, e é evidente: isso tem que continuar assim, pois a liberdade de expressão é direito fundamental em nosso país, quem precisa repensar é o judiciário, o sistema político como um todo e nós advogados se não estamos usando o mesmo remédio para todos os casos, como em uma virose.
Saber dissociar opiniões pessoais de profissionais é o grande desafio do momento, você autônomo ou atuante em uma determinada área, seja qual for, sabe do que estou falando, passamos anos nos aperfeiçoando, estudando, criando técnicas para melhorar o nosso desempenho e muitas vezes nos deparamos com achaques sem sentido, teses mirabolantes, opiniões disruptivas da realidade.
Aos causídicos! sim, advogados, hoje, por vezes somos mais um na fila do “atendimento” e parte do judiciário está com dificuldades de dissociar o nosso trabalho de uma virose comum. Será nossa culpa também? ou somos vítimas do vírus do “pitaco” que se expande para qualquer área? Zygmunt Bauman na sua obra modernidade líquida escreveu que no tempo atual tudo é liquidez, nada é sólido, as coisas e o seu meio se transformam como uma enxurrada invadindo o porão de um navio, cabe a todos nós saber onde vamos nos agarrar.







