quinta-feira, janeiro 15, 2026
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É o melhor que podemos fazer?

Leia a coluna do Dr. Iago Spada na Quinta da Opinião

Foto: Iago Luís Spada 

“Aquilo que chama de sorte é o cuidado com os pormenores”, a famosa frase de Winston Churchill aplica-se in re ipsis litteris a qualquer causa jurídica existente. Uma vitória ou derrota nos pleitos pessoais não é apenas obra do destino, ou objeto de sorte ou azar, na verdade, é fruto de uma série de procedimentos elaborados tanto pelos advogados quanto pelo Estado, responsável por aplicar a justiça e até mesmo do próprio autor ou réu.

A atual imprevisibilidade do judiciário é patologia grave e como dizem os médicos: evoluiu para óbito, causando preocupação a todos. Como uma roleta girando em um cassino, nós advogados, por vezes, temos que torcer até mesmo para que a nossa causa seja julgada por algum juiz com pensamento previsível aos nossos pedidos, doutra banda, muitos colegas procuradores não fazem o seu trabalho de casa, abarrotando o judiciário com demandas estranhas e vazias, sendo que poderiam resolver de forma diferente do que somente a súplica por um julgamento jurisdicional.

Henry Kissinger, político americano e Secretário de Estado dos governos de Nixon e Ford, era conhecido pela exigência com os seus comandados.Certa vez o seu assessor direto Winston Lord passou dias escrevendo um relatório para entregar a Kissinger, recebendo-o de volta com a anotação “é o melhor que você pode fazer?” Lord redigiu novamente e refez o relatório enviando ao chefe sendo que novamente retornou com a mesma anotação: “é o melhor que você pode fazer?”, outra vez ele redigiu o relatório sendo que agora foi entregar em mãos o relatório a Kissinger que o interpelou com a mesma pergunta, “é o melhor que você pode fazer”? Lord respondeu: diabos é sim o melhor que posso fazer, na sequência Henry Kissinger pronunciou: ótimo, então agora acho que irei ler.

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Questione-se você também na sua profissão, é o melhor que você pode fazer? ou está sendo levado pela correnteza e ritmo cotidiano da vida, com  rotinas previsíveis e preguiça mental? Nós do judiciário temos esse dever, nos perguntar se a nossa justiça atual é a melhor que podemos fazer, ou se precisamos repensar e aprimorar.

O que vivemos diariamente é a faina de questionamentos sobre decisões,imprevisíveis e viciadas, sobretudo a nível nacional, e nesse cenário os advogados possuem o brilhante trabalho de amainar a fervura que percorre os corredores sociais políticos e jurídicos.

Não há só mocinhos, não há só vilões, todos temos que repensar o verdadeiro papel do judiciário e ele não pode jogar os dados e torcer para sair o que o destino quiser com variáveis múltiplas. Não devemos sair de cada processo com o olhar desconfiado de uma pessoa, fitando o fórum, o juiz, o advogado, o promotor, o judiciário como um todo, num olhar que carrega um pensamento: “é isso o melhor que vocês podem fazer”? Mutatis Mutandis.

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