
Deve o homem, não no gênero e sim na espécie, medir a sua confiabilidade por meio das próprias ações. Quando confiamos mais no que os outros falam, do que nas nossas próprias palavras, é hora de refletir. Quem nunca se sentiu despreparado para abordar um assunto? Quem nunca falou algo valendo-se de artimanha persuasiva para convencer o outro a aderir a própria opinião? Quem nunca respondeu a perguntas de uma prova na escola ou graduação sem saber se estava respondendo corretamente? essa auto-desconfiança é natural e parte da praxis humana.
O grande problema está no fato de que, por vezes, utilizamos isso para burlar leis, enganar outrem ou praticar atos irregulares ou ilegais, prejudicando terceiros. Maquiavel dizia que um homem provoca danos a outro homem ou por temor ou pelo ódio, mas e a justiça? quando a justiça, que prima facie deve ser justa, causa danos a outros? é por ódio ou por temor? E não só ao indivíduo e sim no coletivo? O que fazer?
O Brasil assiste perplexo ao caso do banco Master, com citações na investigação a Ministros do Supremo Tribunal Federal, por supostos pagamentos e favores despendidos entre as partes. Qual a mensagem que isso passa para toda a população brasileira? que a justiça não é confiável, tornando-se um sistema ou um fim em si mesmo, organismo próprio que se regula, se administra e corporativamente toma decisões que bem entender. Isso é trágico, especialmente aos advogados, que são os operários do Direito.
Como um adolescente que chega de madrugada pé-com-pé, escondido dos pais, a cada problema ou escândalo do judiciário, o STF tenta sair de maneira discreta e incólume das discussões e questionamentos da sociedade brasileira, evitando acordar a sanha cidadã do povo, contudo, no caso do Banco Master, o Ministro Dias Toffoli parece ter dado um bico na ponta do sofá, fazendo um baita barulhão.
Vamos lutar pelo judiciário forte, confiável e robusto (conforme sonhou Montesquieu, na sua obra “O Espírito das Leis” em 1748 (estudantes de direito leiam esta magnífica obra), mas precisamos ter novamente nas palavras, nos gestos, nas atitudes e nas decisões jurídicas novamente a confiabilidade, respaldada pelo órgão máximo da justiça em nosso país, o STF.






