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Senado aprova PEC da Segurança Pública sem redução da maioridade penal

Proposta recebeu unanimidade nos dois turnos de votação, endurece regras contra facções criminosas, prevê mudanças nas forças de segurança e segue para promulgação pelo Congresso Nacional.

Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O Senado Federal aprovou, na noite desta terça-feira (3), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O texto recebeu apoio unânime dos senadores que participaram da votação e foi aprovado sem a inclusão de medidas para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos.

No primeiro turno, foram 73 votos favoráveis e nenhum contrário. Já no segundo, a proposta recebeu 75 votos favoráveis e nenhum voto contrário. Com a aprovação, o texto segue para promulgação pelo Congresso Nacional.

De autoria do Poder Executivo, a PEC estabelece mudanças na organização das forças de segurança, prevê penas mais duras para chefes de facções e milícias e cria novas regras de cooperação entre União, estados e municípios.

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Por que a redução da maioridade penal ficou fora da PEC?

Antes da votação, os senadores discutiram propostas para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos ou até 14 anos em determinadas situações.

O relator da PEC, senador Rogério Carvalho (PT-SE), não incluiu as emendas no texto principal. Ele recomendou que os temas fossem discutidos em propostas separadas, permitindo que continuem tramitando no Senado.

O requerimento para separar as emendas foi aprovado por 38 votos a 36. Dessa forma, a PEC da Segurança Pública foi votada sem alterações relacionadas à redução da maioridade penal.

Uma das propostas, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), previa idade mínima de 16 anos como regra geral e de 14 anos para crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas.

Outra emenda, do senador Camilo Santana (PT-CE), mantinha os 18 anos como regra, mas propunha redução para 16 anos em casos de crimes hediondos.

O que muda com a aprovação da PEC da Segurança Pública?

A proposta prevê a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), com mudanças no artigo 144 da Constituição Federal.

O objetivo é ampliar a atuação integrada das instituições responsáveis pela segurança pública, estabelecendo um regime de cooperação entre União, estados e municípios.

O texto prevê que as forças de segurança atuem de maneira articulada na prevenção de crimes, investigação, persecução penal e execução das penas.

Como a PEC prevê o combate às facções criminosas e milícias?

A proposta estabelece penas mais duras e regimes especiais de prisão para chefes de facções criminosas e milícias.

Entre as medidas estão a possibilidade de cumprimento de pena em unidades de segurança máxima e restrições ou impedimentos à progressão de regime.

O texto também prevê medidas para atingir o patrimônio obtido por meio de atividades criminosas, responsabilizar pessoas jurídicas envolvidas e ampliar a proteção a denunciantes e seus familiares.

PEC permite a criação de polícias municipais?

Sim. A proposta abre a possibilidade de criação de polícias municipais de natureza civil, com atuação no policiamento ostensivo e comunitário dentro dos municípios.

Essas estruturas ficarão submetidas ao controle externo do Ministério Público.

A PEC também amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e prevê mudanças na organização das forças responsáveis pela segurança pública.

Como ficará o financiamento da segurança pública?

A PEC estabelece novas regras para o financiamento das políticas de segurança. Pelo texto, 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) serão repassados pela União aos estados e municípios, observadas as exclusões previstas para despesas de custeio e investimento da polícia penitenciária nacional no caso do Funpen.

Outra previsão é a destinação de 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social, ligado ao pré-sal, para os fundos de segurança pública.

A medida busca ampliar a previsibilidade dos recursos destinados às ações policiais e ao sistema penitenciário.

O que o governo Lula pretende fazer após a aprovação?

A PEC da Segurança Pública é uma das prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a área.

Durante a tramitação da proposta, Lula prometeu criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da mudança constitucional.

O texto também prevê a criação do Sistema de Políticas Penais, voltado à organização do sistema prisional brasileiro, além de autorizar a atuação conjunta de União, estados e municípios na legislação sobre segurança pública, organização das polícias, guardas municipais e sistema socioeducativo.

Fonte: Agência Brasil.

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