
Com trajetória ligada à agricultura e à política, um pré-candidato a deputado federal por Santa Catarina afirma que decidiu voltar à disputa eleitoral após avaliar que problemas enfrentados pelo setor produtivo continuam sem solução. Em entrevista, ele apresentou propostas voltadas à agricultura, infraestrutura, distribuição de recursos públicos, questões ambientais e fiscalização.
Filho de agricultor e criado na área rural ao lado de 14 irmãos, ele contou que buscou formação como técnico agrícola e posteriormente em Agronomia. Depois dos estudos, retornou ao campo e passou a atuar na política após concluir que boa parte das dificuldades enfrentadas pelos agricultores está relacionada a questões que ficam “fora da porteira”.
Segundo ele, burocracia, legislação trabalhista, regras ambientais, questões fundiárias e a emissão de documentos são alguns dos fatores que dificultam a atividade rural. A experiência teria motivado sua entrada na vida pública.
Ao longo da carreira, o político afirma ter exercido apenas funções eletivas e administrativas ligadas ao setor público, passando também pela área da agricultura e pelo INCRA. Na Câmara dos Deputados, diz ter participado da aprovação do Código Florestal Brasileiro, da Lei dos Motoristas e de regras relacionadas às parcerias agrícolas e fundiárias, além de outros projetos.
Ele afirma que deixou mais de 100 projetos em tramitação quando encerrou sua passagem anterior pelo Congresso e que, oito anos depois, decidiu retomar a atividade política por entender que muitos dos problemas continuam ou se agravaram.
Entre as propostas apresentadas está uma reformulação da legislação ambiental e fundiária. O pré-candidato defende que as regras considerem as características de cada estado e cita Santa Catarina como exemplo de um território marcado por propriedades rurais, rios, áreas de montanha e cidades próximas a cursos d’água.
Ele também defende um amplo zoneamento econômico e territorial do Brasil para estabelecer critérios sobre ocupação urbana e rural, produção agrícola, áreas de preservação, florestas e recursos hídricos.
Na avaliação dele, a questão fundiária também precisa ser enfrentada. O político afirma que mais da metade das propriedades de Santa Catarina não possui escritura e defende medidas para ampliar a segurança jurídica dos proprietários.
Outro ponto destacado durante a entrevista foi a renda dos agricultores. A proposta apresentada é a criação de um modelo de “seguro-renda”, que funcionaria como uma proteção financeira para produtores que tenham prejuízos provocados por problemas climáticos ou outros fatores que impeçam a obtenção da receita esperada.
A ideia, segundo ele, é garantir uma margem de renda ao agricultor. O pré-candidato criticou ainda os custos atuais dos seguros agrícolas e defendeu mudanças para tornar esse mecanismo mais acessível aos produtores.
Na infraestrutura, o foco apresentado está especialmente no Oeste de Santa Catarina. Ele defende a ampliação da capacidade da BR-282, investimentos em ferrovias e a busca por alternativas logísticas para reduzir os problemas de transporte enfrentados pela região.
Durante a entrevista, também citou obras de infraestrutura em Chapecó e Pinhalzinho, atribuindo a participação de parlamentares da região à obtenção dos recursos. Para ele, a representação política regional é importante para que Santa Catarina consiga ampliar a parcela de investimentos recebida do governo federal.
Outro eixo da proposta é uma mudança na distribuição dos impostos entre os entes federativos. O político defende um modelo de confederação no qual os recursos sejam repartidos diretamente na origem. Na proposta apresentada, 10% ficariam com os municípios, 40% com os estados e 50% com a União.
A mudança, segundo ele, reduziria a necessidade de prefeitos e parlamentares buscarem recursos em Brasília por meio de emendas. Na avaliação apresentada durante a entrevista, deputados deveriam concentrar sua atuação na elaboração das leis e na fiscalização do Poder Executivo.
Sobre as emendas parlamentares, o pré-candidato afirmou que, durante seus mandatos anteriores, priorizou áreas como saúde, agricultura e infraestrutura. Ele citou recursos destinados a hospitais de Chapecó e da região e defendeu que as emendas sejam utilizadas de forma transparente e acompanhadas de fiscalização.
A fiscalização do dinheiro público também foi apontada como uma das principais funções dos parlamentares. Segundo ele, deputados federais, estaduais e senadores precisam acompanhar a aplicação dos recursos e cobrar resultados do Executivo.
O pré-candidato ainda destacou a preocupação com a permanência de jovens no campo. Na avaliação dele, a redução do número de filhos nas famílias rurais e a falta de perspectiva de renda têm contribuído para o êxodo rural.
A proposta apresentada é criar condições para que o agricultor tenha maior previsibilidade financeira e consiga permanecer na atividade. Para ele, garantir a produção rural também significa assegurar o abastecimento de alimentos para a população.
Ao falar sobre a nova candidatura, o político afirmou que pretende retomar projetos apresentados anteriormente e propor novas medidas de acordo com as demandas da sociedade. Entre os temas citados estão agricultura, segurança da propriedade, meio ambiente, infraestrutura, segurança alimentar e fiscalização dos recursos públicos.






